Salesianas para cuidar das meninas

Maria Mazzarello, juntamente com sua amiga Petronilla, fundou uma oficina de costura para meninas. O projeto deu certo e logo em 1863 a organização passou a acolher meninas órfãs. Vendo o trabalho de Maria, Dom Bosco fundou em 1972 o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, que teria a missão de cuidar das meninas. Maria Domingas Mazzarello, mais tarde, foi canonizada e passou a ser chamada de Santa Maria Domingas Mazzarello. Sua obra, em conjunto com o Oratório São Francisco de Sales, socorreu milhares de crianças meninas carentes e proporcionaram formas de educação e aprendizado profissional.

O itinerário histórico-biográfico de Maria Domingas Mazzarello é relativamente breve (44 anos). Pode ser organizada em quatro etapas, marcadas por uma maturação progressiva na vida cristã e consagrada:
A 1ª etapa abrange 13 anos: do nascimento, em Mornese, no Alto Monferrato (1837) até à 1ª Eucaristia (1850). Estes anos transcorreram num ambiente familiar caracterizado por uma sólida vida cristã e por um trabalho incansável no campo. Inteligente, volitiva e dotada por uma rica afetividade, Maria Domingas se abriu à fé, orientada pelos pais e pelo sábio diretor espiritual Dom Domingos Pestarino.
Na 2ª etapa (1850-1860) percebe-se uma particular interiorização da fé, a partir do encontro eucarístico, que a impele a doar sua juventude ao Senhor e a participar intensamente da vida paroquial, de modo especial através da União das Filhas de Maria Imaculada. Aos 23 anos foi acometida pela grave doença do tifo que produziu nela uma grande transformação. Deixa então a vida do campo, não somente por causa da diminuição das forças físicas, mas principalmente pela clara intuição educativa. Dedica-se então à educação das meninas da vizinhança, abrindo uma sala de costura, um oratório festivo e um lar para as crianças sem família.

Na 3ª etapa (1860-1872) pode-se vê-la sempre mais aberta aos desígnios de Deus. Em 1864, encontra-se com S. João Bosco. Este encontro foi a resposta plena de Deus à sua ânsia apostólica. Juntos fundam, no dia 05 de agosto de 1872, a nova família religiosa na Igreja, em prol da juventude.
Na 4ª e última etapa, de sua vida (1872-1881), M.M. exercita sua maternidade espiritual através da formação das Irmãs, das numerosas viagens, visitando as novas fundações, incrementando a expansão missionária do Instituto, pela palavra escrita e pela doação cotidiana de sua vida, consumando-a no exercício da “caridade paciente e benigna”.
‘‘Faleceu em Nizza Monferrato, no dia 14 de maio de 1881. Deixou às suas filhas uma sólida tradição educativa. Deus conferiu-lhe o dom do discernimento, tornando-a uma mulher simples e sábia. Sua festa litúrgica é celebrada no dia 13 de maio”. Pio XI a beatificou em 1939 e Pio XII a canonizou em 1951. Seu corpo, incorrupto, foi trasladado para um altar da grandiosa Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim’’.
Em Turim, a escolha de Dom Bosco de fundar uma instituição em favor das jovens resultou da solicitação de várias pessoas; da constatação do estado de abandono e pobreza em que muitas jovens se encontravam; do contato com vários institutos femininos; da profundidade da sua devoção mariana; da confirmação do Papa Pio IX que o encorajou nessa direção; por repetidos sonhos e fatos extraordinários que ele mesmo contou. Contemporaneamente, em Mornese, nas colinas do Monferrato, a jovem Maria Domingas Mazzarello animava um grupo de jovens que se dedicavam às garotas da cidadezinha, com objetivo de ensinar-lhes uma profissão, mas, sobretudo com a determinação de orientá-las à vida cristã. A certa distância um do outro, dois sinais no mesmo comprimento de onda mandavam uma idêntica mensagem: devia surgir também para as meninas e as jovens o ambiente educativo que já existia em Turim-Valdocco, para os meninos, criado por Dom Bosco. Maria Domingas Mazzarello foi cofundadora no dar vida, forma e desenvolvimento à nova instituição. Quem conhece a grande história de Dom Bosco sabe que ele era homem de grandes sonhos. A novidade em Dom Bosco era o seu jeito de educar e de envolver seus colaboradores. No sonho dos nove anos, estavam presentes nos meninos, e na experiência do trabalho com os meninos foi interpelado pela obra divina sobre as meninas. O sonhador era da juventude: meninos e meninas. Então sonhou com um projeto que também respondesse as jovens o mesmo que sonhara para os meninos. Dom Pestarino intuiu que aquela experiência que ele vivenciava em Mornese, com o grupo das Filhas da Imaculada, podia dar certo com a orientação de Dom Bosco. Assim, a convite de padre Pestarino, Dom Bosco foi a Mornese com seus meninos, um encontro que reuniu o povo na praça. A população daquele vilarejo encantou-se com as palavras de Dom Bosco e a alegria dos seus meninos. Entre o povo que vibrava com aquele encontro, lá estava a jovem Maria Domingas Mazzarello, que não tirava os olhos daquele homem, um olhar que já pressentiu a sua santidade: “Dom Bosco é um santo, eu o sinto”. Em 1872, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora foi fundado e o desejo de Dom Bosco foi de que o grupo de consagradas fosse um monumento vivo de gratidão à Virgem Auxiliadora, por todo bem que ela realizara em sua obra: uma história de mulheres de tradição simples, pobres; encantadas com o Deus da vida, que deu a elas a missão junto à juventude.