{"id":6064,"date":"2024-01-15T16:34:27","date_gmt":"2024-01-15T19:34:27","guid":{"rendered":"https:\/\/salesianasne.com.br\/?page_id=6064"},"modified":"2024-01-24T15:11:23","modified_gmt":"2024-01-24T18:11:23","slug":"estreia2024","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/salesianasne.com.br\/estreia\/estreia2024\/","title":{"rendered":"Estreia 2024"},"content":{"rendered":"\t\t
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Estreia 2024
\n\n\u00abO sonho que faz sonhar\u00bb
\n\nUm cora\u00e7\u00e3o que transforma \"lobos\" em \"cordeiros\"<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
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\n\t\t\t\tSum\u00e1rio\t\t\t<\/h4>\n\t\t\t\t\t\t\t
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\n\t\t\t\t\t\t\t<\/path><\/svg>\t\t\t\t\t\t\tReproduzir v\u00eddeo sobre Capa video estreia 2024<\/span>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
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Durante o meu servi\u00e7o como Reitor-Mor pude constatar que a Estreia de todos os anos \u00e9 um dos mais belos presentes que Dom Bosco e seus sucessores oferecem \u00e0 Fam\u00edlia Salesiana: ela \u00e9 uma ajuda para caminhar juntos, chegando capilarmente at\u00e9 os lugares mais distantes deixando, ao mesmo tempo, a liberdade de a acolher, integrar e valorizar “quando”, “como” e “com quem” cada CEP julgar oportuno.<\/p>

Neste novo ano de 2024, celebraremos o segundo centen\u00e1rio do \u00absonho-vis\u00e3o que Jo\u00e3o teve entre os nove e dez anos de idade na pequena casa dos Becchi\u00bb1<\/sup> em 1824. Na verdade, ele \u00e9 bem conhecido em nossa Fam\u00edlia Salesiana como o sonho dos nove anos<\/em>.<\/p>

Considero que a ocorr\u00eancia dos 200 anos do sonho que \u00abcondicionou todo o modo de viver e de pensar de Dom Bosco e, em particular, o modo de sentir a presen\u00e7a de Deus na vida de cada um e na hist\u00f3ria do mundo\u00bb,2<\/sup> merece ser colocado no centro da Estreia, que guiar\u00e1 o ano educativo-pastoral de toda a nossa Fam\u00edlia Salesiana. O Sonho poder\u00e1 ser assumido e aprofundado na miss\u00e3o evangelizadora, nas interven\u00e7\u00f5es educativas e nas a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o social que em todas as partes do mundo se referem \u00e0 nossa Fam\u00edlia, que tem em Dom Bosco o pai inspirador.<\/p>

\u00abGostaria de recordar aqui o “sonho dos 9 anos”. De fato, parece-me que essa p\u00e1gina autobiogr\u00e1fica ofere\u00e7a uma apresenta\u00e7\u00e3o simples, mas ao mesmo tempo prof\u00e9tica, do esp\u00edrito e da miss\u00e3o de Dom Bosco. Nele \u00e9 definido o campo de a\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 confiado: os jovens; \u00e9 indicado o objetivo da sua a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica: faz\u00ea-los crescer como pessoas por meio da educa\u00e7\u00e3o; \u00e9 apresentado o horizonte em que se move todo o seu e o nosso agir: o plano maravilhoso de Deus que, antes de todos e mais do que todos, ama os jovens\u00bb.3<\/sup> Assim escrevia o Reitor-Mor Em\u00e9rito, P. Pascual Ch\u00e1vez Villanueva, na conclus\u00e3o da Estreia para 2012, oferecida \u00e0 Fam\u00edlia Salesiana por ocasi\u00e3o do primeiro ano do tri\u00eanio em prepara\u00e7\u00e3o ao bicenten\u00e1rio do nascimento de Dom Bosco em 2015.<\/p>

Uma bela s\u00edntese que nos oferece em poucas linhas a ess\u00eancia do que foi e \u00e9 o sonho dos nove anos em sua simplicidade e profecia, em seu valor carism\u00e1tico e educativo. Um sonho sem d\u00favida emblem\u00e1tico que, 200 anos depois de ocorrido, tentaremos aproximar do cora\u00e7\u00e3o e da vida de toda a Fam\u00edlia de Dom Bosco. Um sonho definido, \u00e0s vezes, como \u00abo famos\u00edssimo sonho-vis\u00e3o que seria e ainda \u00e9 uma importante coluna, quase um mito fundador, no imagin\u00e1rio da Fam\u00edlia Salesiana\u00bb.4<\/sup> Ele exige certamente uma contextualiza\u00e7\u00e3o e uma abordagem cr\u00edtica quanto \u00e0 reda\u00e7\u00e3o feita pelo pr\u00f3prio Dom Bosco e que os nossos especialistas em hist\u00f3ria salesiana sempre fazem com o objetivo de se ter uma sua leitura e interpreta\u00e7\u00e3o atual, vital e existencial. Todavia, sem d\u00favida, \u00e9 um sonho que Dom Bosco reteve na mente e no cora\u00e7\u00e3o durante toda a vida, como ele mesmo diz: \u00abNessa idade tive um sonho, que me ficou profundamente impresso na mente por toda a vida\u00bb.5<\/sup> Ou seja, \u00e9 um sonho que esteve presente nele e em todo o caminho da Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana at\u00e9 hoje (e que de uma forma ou de outra chega, sem d\u00favida, \u00e0 nossa Fam\u00edlia Salesiana).<\/p>

Lemos nas palavra do P. Rinaldi, por ocasi\u00e3o do primeiro centen\u00e1rio do sonho: \u00abo seu conte\u00fado \u00e9 de tal import\u00e2ncia que, nesta mem\u00f3ria centen\u00e1ria, se quisermos merecer o nome de filhos de Dom Bosco e perfeitos Salesianos, faremos o esfor\u00e7o de aprofund\u00e1-lo com uma medita\u00e7\u00e3o mais ass\u00eddua de cada particular para colocar em pr\u00e1tica com generosidade os seus ensinamentos\u00bb.6<\/sup> Quanto a n\u00f3s, estamos a viver o extraordin\u00e1rio evento deste segundo centen\u00e1rio que, sem d\u00favida, contar\u00e1 com muitas express\u00f5es em todo o mundo salesiano. Esperamos que as suas express\u00f5es alcancem o mais celebrativo e festivo e tamb\u00e9m o mais profundo da auspiciosa revis\u00e3o das nossas vidas e das propostas corajosas aos jovens para ajud\u00e1-los a sonhar “grande” em suas vidas com a presen\u00e7a do Senhor Jesus e de m\u00e3os dadas com a Mestra, a Senhora nossa M\u00e3e.<\/p>

1.\u00a0 \u00abTIVE UM SONHO…\u00bb: UM SONHO MUITO ESPECIAL<\/strong><\/h1>

\u00c9 isso mesmo, h\u00e1 200 anos, Jo\u00e3o Bosco teve um sonho que o “marcaria” para por toda a sua vida. Um sonho que deixaria nele uma marca indel\u00e9vel, cujo significado ele s\u00f3 compreendeu plenamente no final da vida. Eis o sonho narrado pelo pr\u00f3prio Dom Bosco, \u00abde acordo com a edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de Ant\u00f4nio da Silva Ferreira, da qual nos afastamos apenas por duas pequenas variantes\u00bb.7<\/sup><\/p>

[Quadro inicial<\/em>] Nessa idade tive um sonho, que me ficou profundamente impresso na mente por toda a vida.<\/p>

[Vis\u00e3o dos meninos e interven\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o<\/em>] No sonho, pareceu-me estar perto de casa, numa \u00e1rea bastante espa\u00e7osa, onde uma multid\u00e3o de meninos estava a brincar. Alguns riam, outros divertiam-se, n\u00e3o poucos blasfemavam. Ao ouvir as blasf\u00eamias, lancei-me de pronto no meio deles, tentando, com socos e palavras, faz\u00ea-los calar.<\/p>

[Apari\u00e7\u00e3o do homem venerando<\/em>] Nesse momento apareceu um homem venerando, de aspecto varonil, nobremente vestido. Um manto branco cobria-lhe o corpo; seu rosto, por\u00e9m, era t\u00e3o luminoso que eu n\u00e3o conseguia fit\u00e1-lo. Chamou-me pelo nome e mandou que me pusesse \u00e0 frente daqueles meninos, acrescentando estas palavras: “N\u00e3o \u00e9 com pancadas, mas com a mansid\u00e3o e a caridade que dever\u00e1s ganhar esses teus amigos. P\u00f5e-te imediatamente a instru\u00ed-los sobre a fealdade do pecado e a preciosidade da virtude”. Confuso e assustado repliquei que eu era um menino pobre e ignorante, incapaz de lhes falar de religi\u00e3o. Sen\u00e3o quando aqueles meninos, parando de brigar, de gritar e blasfemar, juntaram-se ao redor do personagem que estava a falar.<\/p>

[Di\u00e1logo sobre a identidade do personagem<\/em>] Quase sem saber o que dizer, acrescentei: \u00abQuem sois v\u00f3s que me ordenais coisas imposs\u00edveis?\u00bb. \u00abJustamente porque te parecem imposs\u00edveis, deves torn\u00e1-las poss\u00edveis com a obedi\u00eancia e a aquisi\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia\u00bb. \u00abOnde, com que meios poderei adquirir a ci\u00eancia?\u00bb. \u00abEu te darei a mestra, sob cuja orienta\u00e7\u00e3o poder\u00e1s tornar-te s\u00e1bio, e sem a qual toda sabedoria se converte em estultice\u00bb. \u00abMas quem sois v\u00f3s que assim falais?\u00bb \u00abSou o filho daquela que tua m\u00e3e te ensinou a saudar tr\u00eas vezes ao dia\u00bb. \u00abMinha m\u00e3e diz que sem sua licen\u00e7a n\u00e3o devo estar com gente que n\u00e3o conhe\u00e7o; dizei-me, pois, vosso nome\u00bb. \u00abPergunta-o a minha m\u00e3e\u00bb.<\/p>

[Apari\u00e7\u00e3o da senhora de aspecto majestoso<\/em>] Nesse momento vi a seu lado uma senhora de aspecto majestoso, vestida de um manto todo resplandecente, como se cada uma de suas partes fosse fulgid\u00edssima estrela. Percebendo-me cada vez mais confuso em minhas perguntas e respostas, acenou para que me aproximasse e, tomando-me com bondade pela m\u00e3o, disse: \u00abOlha\u00bb. Vi ent\u00e3o que todos os meninos haviam fugido, e em lugar deles estava uma multid\u00e3o de cabritos, c\u00e3es, gatos, ursos e outros animais. \u00abEis o teu campo, onde deves trabalhar. Torna-te humilde, forte, robusto; e o que agora v\u00eas acontecer a esses animais, deves faz\u00ea-lo aos meus filhos\u00bb. Tornei ent\u00e3o a olhar, e em vez de animais ferozes apareceram mansos cordeirinhos que, saltitando e balindo, corriam ao redor daquele homem e daquela senhora, como a fazer-lhes festa. Neste ponto, sempre no sonho, desatei a chorar, e pedi que falassem de maneira que pudesse compreender, porque n\u00e3o sabia o que significava tudo aquilo. A senhora descansou a m\u00e3o em minha cabe\u00e7a, dizendo: \u00abA seu tempo tudo compreender\u00e1s\u00bb.<\/p>

[Quadro conclusivo<\/em>] Ap\u00f3s essas palavras, um ru\u00eddo qualquer me acordou, e tudo desapareceu. Fiquei transtornado. Parecia-me ter as m\u00e3os doloridas pelos socos que desferira e doer-me o rosto pelos tapas recebidos; al\u00e9m disso, aquele personagem, a senhora, as coisas ditas e ouvidas de tal modo me encheram a cabe\u00e7a que naquela noite n\u00e3o pude mais conciliar o sono. De manh\u00e3zinha contei logo o sonho, primeiro aos meus irm\u00e3os, que se puseram a rir, depois \u00e0 mam\u00e3e e \u00e0 vov\u00f3. Cada um dava o seu palpite. O irm\u00e3o Jos\u00e9 dizia: \u00abVais ser pastor de cabras, de ovelhas e de outros animais\u00bb. Mam\u00e3e: \u00abQuem sabe se um dia n\u00e3o ser\u00e1s sacerdote\u00bb. Ant\u00f4nio, secamente: \u00abChefe de bandidos, isso sim\u00bb. Mas a av\u00f3 que, de todo analfabeta, entendia muito de teologia deu a senten\u00e7a definitiva: \u00abN\u00e3o se deve fazer caso dos sonhos\u00bb. Eu era do parecer de minha av\u00f3, todavia n\u00e3o pude nunca tirar aquele sonho da minha cabe\u00e7a. O que vou doravante expor dar\u00e1 a isso alguma explica\u00e7\u00e3o. Mantive-me sempre calado; meus parentes n\u00e3o lhe deram import\u00e2ncia. Mas quando, em 1858, fui a Roma para falar com o Papa sobre a Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana, ele me fez contar pormenorizadamente tudo quanto tivesse ainda que s\u00f3 a apar\u00eancia de sobrenatural. Contei ent\u00e3o pela primeira vez o sonho que tive na idade de 9 a 10 anos. O Papa mandou-me escrev\u00ea-lo literalmente e com pormenores, e deix\u00e1-lo como est\u00edmulo aos filhos da Congrega\u00e7\u00e3o, a qual era precisamente o objetivo de minha viagem a Roma.<\/p>

O mesmo sonho ser\u00e1 repetido v\u00e1rias vezes na vida de Dom Bosco; ele mesmo, que narrou nas suas Mem\u00f3rias <\/em>aquele primeiro evento \u2013 cujo bicenten\u00e1rio estamos a celebrar \u2013 relata em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, muitos anos depois, aquilo que sonhara. Na verdade, o sonho dos 9 anos n\u00e3o \u00e9 um sonho isolado, mas faz parte de uma sequ\u00eancia prolongada e complementar de epis\u00f3dios on\u00edricos na vida de Dom Bosco. Ele mesmo conecta, integrando-os, tr\u00eas sonhos fundamentais: o de 1824 (nos Becchi), o de 1844 (no Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico) e o de 1845 (nas obras da Marquesa di Barolo); encontram-se neles alguns elementos de continuidade e outros, de novidade, mas sempre se reconhece, em filigrana, o primeiro quadro e cena da \u00ab\u00e1rea bastante espa\u00e7osa\u00bb dos Becchi, embora com novos detalhes, rea\u00e7\u00f5es e<\/p>

mensagens ligados \u00e0 esta\u00e7\u00e3o da vida, n\u00e3o mais a de Jo\u00e3o de nove anos, mas a de Dom Bosco no pleno desenvolvimento da sua miss\u00e3o.<\/p>

Em outra ocasi\u00e3o, muitos anos depois, em 1875, j\u00e1 aos sessenta anos, \u00e9 o pr\u00f3prio Dom Bosco quem conta o sonho ao P. Barberis. Nessa \u00e9poca, Dom Bosco j\u00e1 assistira ao nascimento da Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana (18 de dezembro de 1859), da Arquiconfraria de Maria Auxiliadora (18 de abril de 1869), do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (5 de agosto de 1872) e da Pia Sociedade dos Cooperadores Salesianos \u2013 nome original dado por Dom Bosco \u2013, aprovada em 9 de maio de 1876.<\/p>

Quando o sonho aconteceu pela \u00faltima vez, Dom Bosco era, como eu j\u00e1 disse, um homem maduro: vivera muitas situa\u00e7\u00f5es, enfrentara e superara muitas dificuldades, vira com seus olhos o que a Gra\u00e7a e o Amor da Virgem Maria operaram em seus meninos, vira muitos milagres da Provid\u00eancia e sofrera n\u00e3o pouco. \u00ab”Um dia tudo compreender\u00e1s”, profetizara-lhe o primeiro sonho; e em 1887, na missa de consagra\u00e7\u00e3o do templo do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o em Roma, ele ouviu aquela voz ecoando em seus ouvidos e chorou de alegria, chorou ao contemplar os admir\u00e1veis efeitos da sua f\u00e9 invicta\u00bb.8<\/sup><\/p>

2.\u00a0 UM SONHO AO QUAL TODOS OS REITORES-MORES SE REFERIRAM<\/strong><\/h1>

Chama particularmente a minha a aten\u00e7\u00e3o, o fato de todos os Reitores-Mores, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do P. Rua, de quem n\u00e3o consegui nenhuma cita\u00e7\u00e3o, se referirem ao sonho, <\/em><\/strong>a este sonho de Dom Bosco que marcou a nossa Congrega\u00e7\u00e3o e a Fam\u00edlia Salesiana. Valho-me neste momento de um magn\u00edfico trabalho de pesquisa feito pelo Sr. Marco Bay.9<\/sup><\/p>

O P. Paulo Albera, <\/strong>segundo sucessor de Dom Bosco, referindo-se ao Orat\u00f3rio de Valdocco como o Orat\u00f3rio de Dom Bosco, a Obra primeira e por muitos anos \u00fanica, refere-se ao Sonho como o misterioso sonho em que a Provid\u00eancia lhe confia a miss\u00e3o:<\/p>

\u00abA primeira Obra de Dom Bosco, na verdade por muitos anos a \u00fanica, foi o Orat\u00f3rio festivo, o seu Orat\u00f3rio festivo, j\u00e1 vislumbrado por ele no misterioso sonho que teve aos nove anos e nos subsequentes que progressivamente ilustraram a sua mente sobre a Obra da Provid\u00eancia a ele confiada\u00bb.10<\/sup><\/p>

O P. Filipe Rinaldi, <\/strong>terceiro sucessor de Dom Bosco, \u00e9 quem teve a oportunidade de viver o primeiro centen\u00e1rio do Sonho, e pretende que a Congrega\u00e7\u00e3o inteira fique impregnada da gra\u00e7a de viver esse evento. Por isso, ele assim incentiva:<\/p>

\u00ab[…] Na minha circular sobre o Jubileu das nossas Constitui\u00e7\u00f5es j\u00e1 vos mencionei, meus queridos filhos, o centen\u00e1rio do primeiro sonho de Dom Bosco, convidando-vos a meditar sobre esse sonho e pratic\u00e1-lo. (…) Releiamos juntos, meus queridos filhos, a p\u00e1gina escrita para nossa instru\u00e7\u00e3o pelo vener\u00e1vel Pai, em obedi\u00eancia ao Vig\u00e1rio de Jesus Cristo; sim, releiamo-la com grande venera\u00e7\u00e3o e fixemos em nossas mentes, palavra por palavra, essa p\u00e1gina que nos descreve evangelicamente a origem sobrenatural, a natureza \u00edntima e a forma espec\u00edfica da nossa voca\u00e7\u00e3o. Quanto mais for lida, mais nova e luminosa ela ser\u00e1\u00bb.11<\/sup><\/p>

No mesmo texto, o P. Rinaldi faz os irm\u00e3os entenderem que, assim como Dom Bosco foi chamado para uma miss\u00e3o com o sonho dos nove anos, tamb\u00e9m n\u00f3s fomos chamados sob a guia da Sant\u00edssima Virgem. E, conduzidos com bondade pela sua m\u00e3o, a mesma Virgem Sant\u00edssima, mostra-nos o campo da nossa a\u00e7\u00e3o e estimula-nos de mil maneiras a adquirir os dons da humildade, da fortaleza e da sa\u00fade. Compreendemos perfeitamente que ele aplica para n\u00f3s o mandato de ser fortes, humildes e robustos que a Senhora do sonho deixou a Jo\u00e3ozinho Bosco.<\/p>

\u00abN\u00f3s tamb\u00e9m recebemos o mandato de adquirir os meios necess\u00e1rios para p\u00f4r esse m\u00e9todo em pr\u00e1tica, ou seja, a obedi\u00eancia e a ci\u00eancia, sob a guia da Virgem, o que fizemos (ou estamos a fazer) durante os anos da nossa forma\u00e7\u00e3o religiosa e sacerdotal. Durante todos felizes esses anos, a Sant\u00edssima Virgem tamb\u00e9m nos tomou com bondade pela m\u00e3o e, indicando-nos o futuro campo da nossa a\u00e7\u00e3o, estimulou-nos de todas as maneiras \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da humildade, da fortaleza e da sa\u00fade, qualidades estritamente necess\u00e1rias a todo verdadeiro filho de Dom Bosco. N\u00f3s tamb\u00e9m veremos multid\u00f5es de jovens, antes completamente ignorantes das coisas de Deus, e talvez j\u00e1 v\u00edtimas infelizes do mal, correrem iluminados, curados e alegres para celebrar Jesus e Maria Sant\u00edssima Auxiliadora\u00bb.12<\/sup><\/p>

E, quase como um incentivo para celebrar este bicenten\u00e1rio de maneira grandiosa e significativa, cito o Boletim Salesiano da \u00e9poca do Padre Rinaldi, que relata a celebra\u00e7\u00e3o em Roma que ocorreu na sua presen\u00e7a:<\/p>

\u00abPor um sonho \u2013 escrevia o Corriere d’Italia <\/em>em 2 de maio passado \u2013, pela beleza ideal de um sonho, milhares de almas que anseiam e aplaudem reuniram-se ontem no grande p\u00e1tio das Obras de Dom Bosco em Roma com o venerando Mission\u00e1rio Cardeal Cagliero, o pr\u00f3prio Sucessor de Dom Bosco, P. Rinaldi, e o Ministro da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Pedro Fedele, para prestar uma homenagem sincera ao incompar\u00e1vel Mestre que, na humildade luminosa da F\u00e9, seguira os caminhos irradiantes daquele sonho sublime.<\/p>

Uma coroa viva de jovens, de meninos e de meninas, alunos de Dom Bosco; uma multid\u00e3o de homens de todas as classes \u2013 trabalhadores, professores, soldados, sacerdotes \u2013 todos reunidos em nome do doce Mestre. (…)<\/p>

H\u00e1 cem anos (outro Ano Santo, por que esquecer?), Dom Bosco, ainda crian\u00e7a, sonhava o doce e misterioso sonho; ele via, primeiramente, um grupo de meninos de rua brigando uns com os outros, blasfemando e praguejando; e, com um bast\u00e3o, tentava cham\u00e1-los \u00e0 ordem; em seguida, via uma Senhora e um Senhor que o conduziam a outro grupo, agora de animais, c\u00e3es e gatos que tamb\u00e9m brigavam, latindo e zombando \u2013 mas, a um sinal arcano dos Dois, transformaram-se em rebanho de pac\u00edficos cordeiros…<\/p>

Depois de cem anos, este sonho \u00e9 uma realidade \u2013 espl\u00eandida, palpitante, grandiosa \u2013, uma hist\u00f3ria admir\u00e1vel que j\u00e1 reveste o destino de milh\u00f5es de criaturas nas Escolas, nas Miss\u00f5es, na vida, na ora\u00e7\u00e3o, na esperan\u00e7a; todas as criaturas que saudaram e sa\u00fadam Dom Bosco, o maior e mais santo mestre de vida que a Igreja e a It\u00e1lia deram ao mundo em nosso s\u00e9culo…\u00bb. 13<\/sup><\/p>

O P. Pedro Ricaldone, <\/strong>quarto sucessor de Dom Bosco v\u00ea o germe do Orat\u00f3rio festivo e de toda a obra salesiana no sonho de Jo\u00e3ozinho aos nove anos de idade. Seguiram-se muitas outras etapas, diz o Padre Ricaldone, muitas esta\u00e7\u00f5es de uma peregrina\u00e7\u00e3o, antes de chegar \u00e0 casa Pinardi, um terreno seu.<\/p>

\u00abN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a primeira semente do Orat\u00f3rio Festivo e de toda a Obra Salesiana deve ser encontrada, como disse h\u00e1 pouco, no sonho prof\u00e9tico que Jo\u00e3ozinho teve aos nove anos. Desde ent\u00e3o, a Senhora de aspecto majestoso falou ao pastorzinho dos Becchi: “Eis o teu campo. Torna- te humilde, forte, robusto; e o que agora v\u00eas acontecer a esses animais, tu dever\u00e1s faz\u00ea-lo aos meus filhos”.<\/p>

Os Becchi, Moncucco, Castelnuovo, Chieri, s\u00e3o muitas outras etapas e Jo\u00e3ozinho Bosco est\u00e1 apenas a caminho, caminhando para outro objetivo. 8 de dezembro de 1841 \u00e9, mais do que um ponto de chegada, outro ponto de partida. Ele deve fazer outras peregrina\u00e7\u00f5es antes de chegar ao telheiro Pinardi, a Valdocco, \u00e0 sua terra prometida. Para voltar \u00e0 primeira imagem, a pequena e tenra planta encontrou finalmente o seu terreno; de agora em diante n\u00f3s a veremos crescer mais forte e maior do que todas as previs\u00f5es humanas\u00bb.14<\/sup><\/p>

O P. Ricaldone considera at\u00e9 mesmo que o amor e o zelo de Dom Bosco pelas voca\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam sua origem no sonho dos nove anos:<\/p>

\u00abO amor e o zelo de Dom Bosco pelas voca\u00e7\u00f5es t\u00eam a sua primeira origem no sonho prof\u00e9tico que ele teve aos nove anos e que se reproduziu de modos substancialmente uniformes por quase vinte anos. (…) De fato, depois daquele sonho, cresceu em Jo\u00e3o o desejo de estudar para tornar-se sacerdote e consagrar-se \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos jovens\u00bb.15<\/sup><\/p>

O P. Renato Ziggiotti, <\/strong>quinto sucessor de Dom Bosco, tamb\u00e9m evidencia de modo muito particular o grande dom que a Mestra foi para Dom Bosco, pois \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor quem oferece a Jo\u00e3ozinho a sua M\u00e3e, sobretudo como guia. Assim ele se expressa:<\/p>

\u00ab”Eu te darei a Mestra, <\/em>sob cuja disciplina poder\u00e1s tornar-te s\u00e1bio, e sem a qual toda sabedoria se converte em estultice”, \u00e9 a palavra prof\u00e9tica do primeiro sonho, pronunciada pelo personagem misterioso, “o Filho daquela que tua m\u00e3e te ensinou a saudar tr\u00eas vezes ao dia”. \u00c9 Jesus, ent\u00e3o, quem d\u00e1 a Dom Bosco a pr\u00f3pria M\u00e3e como Mestra e guia infal\u00edvel no dif\u00edcil caminho da sua vida. Como podemos ser suficientemente gratos por esse extraordin\u00e1rio dom feito do C\u00e9u \u00e0 nossa Fam\u00edlia?\u00bb.16<\/sup><\/p>

E ela, a M\u00e3e, Nossa Senhora, a Senhora do sonho, ser\u00e1 tudo para Dom Bosco. Essa certeza era muito forte e abrangente no P. Ziggiotti que o levava a pretender de cada salesiano:<\/p>

\u00abNossa Senhora, a quem ele foi consagrado por sua m\u00e3e ao nascer, que iluminou o seu futuro no sonho dos nove anos <\/em>e depois voltou a confort\u00e1-lo e aconselh\u00e1-lo de mil maneiras nos sonhos, no esp\u00edrito prof\u00e9tico, na vis\u00e3o interior do estado das almas, nos milagres e gra\u00e7as sem conta que ele operou ao invoc\u00e1-la; Nossa Senhora \u00e9 tudo para Dom Bosco; e o Salesiano que quiser adquirir o esp\u00edrito do Fundador deve imit\u00e1-lo nessa devo\u00e7\u00e3o\u00bb.17<\/sup><\/p>

Tamb\u00e9m o P. Lu\u00eds Ricceri, <\/strong>sexto sucessor de Dom Bosco, tem algumas express\u00f5es admir\u00e1veis sobre o significado do sonho dos nove anos. Ele evidencia a import\u00e2ncia do sonho para Dom Bosco, a ponto de ficar gravado em seu cora\u00e7\u00e3o e em sua mente para sempre, e como ele se sentiu chamado por Deus:<\/p>

\u00abO sonho dos 9 anos. \u00c9 o sonho \u2013 escreve Dom Bosco nas suas “Mem\u00f3rias” \u2013 que me ficou profundamente impresso na mente por toda a vida” (Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio, p. 29). A impress\u00e3o indel\u00e9vel deste sonho-vis\u00e3o deve-se ao fato de ter sido como um clar\u00e3o repentino que esclareceu o significado da sua jovem exist\u00eancia e tra\u00e7ou o seu caminho. Como o pequeno Samuel, Dom Bosco sentiu-se chamado e enviado por Deus para uma miss\u00e3o: salvar os jovens de todos os lugares, de todos os tempos, dos pa\u00edses crist\u00e3os e a “multid\u00e3o” dos que vivem em regi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s, que ainda est\u00e3o na expectativa do grande advento do Senhor\u00bb.18<\/sup><\/p>

Este \u00e9 o sonho, diz o Padre Ricceri, em que Dom Bosco, ainda sem plena clareza devido \u00e0 pouca idade, intui o grande valor de viver para salvar as almas, e essa convic\u00e7\u00e3o toma sempre mais forma em sua vida, em sua mente e em seu esp\u00edrito como dom da gra\u00e7a. E foi por meio desse evento decisivo em sua vida que ele teve a primeira grande intui\u00e7\u00e3o daquele que seria no futuro o sistema preventivo<\/em>.<\/p>

\u00abN\u00e3o \u00e9 com pancadas, mas com a mansid\u00e3o e a caridade que dever\u00e1s ganhar esses teus amigos\u00bb, escreve Dom Bosco ao narrar o evento, tendo-o ouvido dos l\u00e1bios da Senhora. Tanto que, no futuro, se poder\u00e1 falar de uma rela\u00e7\u00e3o preciosa entre Dom Bosco e a M\u00e3e do Senhor. Assim expressa-se de modo muito belo o P. Ricceri:<\/p>

\u00abA partir deste sonho, estreita-se entre Dom Bosco e a M\u00e3e de Jesus aquela rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3o dupla, aquela colabora\u00e7\u00e3o permanente, que caracteriza a vida do futuro ap\u00f3stolo…\u00bb.19<\/sup><\/p>

O P. Eg\u00eddio Vigan\u00f2, <\/strong>s\u00e9timo sucessor de Dom Bosco oferece-nos outras reflex\u00f5es n\u00e3o menos estimulantes. Fico feliz ao ver essa magn\u00edfica linha de continuidade entre todos os Reitores-Mores quando leem, meditam e interpretam o sonho por excel\u00eancia obtendo dele intui\u00e7\u00f5es \u00fateis para o momento presente. O P. Vigan\u00f2 confirma, como outros sucessores de Dom Bosco antes dele, que Maria \u00e9 a verdadeira inspiradora, a Mestra e guia da voca\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o, a voca\u00e7\u00e3o do nosso Pai Dom Bosco.<\/p>

\u00abParece-me particularmente interessante observar que j\u00e1 aos 9 anos, no famoso sonho (que se h\u00e1 de repetir v\u00e1rias vezes e ao qual Dom Bosco atribui particular incid\u00eancia na sua vida), Maria se apresente \u00e0 sua consci\u00eancia de f\u00e9 como uma personagem importante interessada diretamente num projeto de miss\u00e3o para a sua vida; \u00e9 uma Senhora que demonstra particulares preocupa\u00e7\u00f5es \u201cpastorais\u201d para com a juventude; de fato, ela: apresentou-se a ele \u201c\u00e0 maneira de uma Pastorinha\u201d. Notamos logo, aqui, que n\u00e3o \u00e9 Jo\u00e3ozinho que escolhe Maria, mas que \u00e9 justamente Maria que toma a iniciativa da escolha: a pedido do seu Filho, ser\u00e1 a Inspiradora e a Mestra da sua voca\u00e7\u00e3o\u00bb.20<\/sup><\/p>

A maravilhosa experi\u00eancia vivida por Jo\u00e3o faz com que ele tenha um sentido assaz profundo e \u00edntimo de uma rela\u00e7\u00e3o muito pessoal de Maria (a Senhora do sonho) com ele, e assim, em seu cora\u00e7\u00e3o e em sua alma, Dom Bosco sentir\u00e1 durante toda a vida, e sempre mais, um carinho e afeto muito especial e grande por Maria. Trata-se realmente de uma rela\u00e7\u00e3o realmente particular com a Virgem.<\/p>

O P. Juan Edmundo Vecchi, <\/strong>oitavo sucessor de Dom Bosco tamb\u00e9m nota que, como Dom Bosco estava convencido de ter sido enviado aos jovens, tudo h\u00e1 de ser focado nessa \u00fanica sagrada finalidade, e a eles deve dedicar todas as suas energias:<\/p>

\u00abEsse \u00e9 o fio condutor da narra\u00e7\u00e3o que Dom Bosco faz da sua vida nas Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio <\/em>desde o primeiro sonho: <\/em>“O Senhor enviou-me para os jovens, por isso \u00e9 preciso que eu me poupe nas outras coisas estranhas e conserve a minha sa\u00fade para eles”,21<\/sup> sempre convencido de que \u00e9 instrumento do Senhor e toda a sua vida seja marcada por esse chamado e miss\u00e3o entre os jovens. Outro grande especialista em Dom Bosco no-lo confirma: “A certeza de ser um instrumento do Senhor para uma miss\u00e3o muito especial era nele profunda e s\u00f3lida. Isso fundamentava nele a atitude religiosa caracter\u00edstica do servo b\u00edblico, do profeta que n\u00e3o pode subtrair-se da vontade divina”\u00bb.22<\/sup><\/p>

Enfim, o P. Pascual Ch\u00e1vez, <\/strong>nono sucessor de Dom Bosco em meio a uma riqueza de textos, oferece-nos um que me comove. Trata-se de um hino \u00e0 figura materna de Mam\u00e3e Margarida, que, com a gra\u00e7a de Deus, acompanhou o crescimento de Jo\u00e3ozinho e interpretou e intuiu no sonho dos nove anos que, talvez, o Senhor e a Virgem estivessem chamando o seu filho para uma voca\u00e7\u00e3o muito especial. Poder-se-ia falar de Mam\u00e3e Margarida, diz o P. Pascual, como uma verdadeira educadora “salesiana”.<\/p>

\u00abFoi essa arte educativa que permitiu a Mam\u00e3e Margarida identificar as energias ocultas em seus filhos, traz\u00ea-las \u00e0 luz, desenvolv\u00ea-las e entreg\u00e1-las quase visivelmente em suas m\u00e3os. Isso \u00e9 especialmente verdadeiro com rela\u00e7\u00e3o ao seu fruto mais rico: Jo\u00e3o. Como \u00e9 impressionante notar em Mam\u00e3e Margarida esse consciente e claro senso de “responsabilidade materna” ao acompanhar o pr\u00f3prio filho de maneira crist\u00e3 e pr\u00f3xima, deixando-o em sua autonomia vocacional, mas acompanhando-o ininterruptamente em todas as etapas da sua vida at\u00e9 a sua pr\u00f3pria morte!<\/p>

O sonho que Jo\u00e3ozinho teve aos nove anos, se foi revelador para ele, certamente tamb\u00e9m o foi (se n\u00e3o antes) para Mam\u00e3e Margarida; foi ela quem teve e manifestou a interpreta\u00e7\u00e3o: “Quem sabe se um dia n\u00e3o ser\u00e1s sacerdote?”. E alguns anos mais tarde, quando percebeu que o ambiente em casa era negativo para Jo\u00e3o devido \u00e0 hostilidade de seu meio-irm\u00e3o Antonio, ela fez o sacrif\u00edcio de mand\u00e1-lo trabalhar como ajudante no s\u00edtio dos Moglia, em Moncucco. Uma m\u00e3e que se priva de um filho muito jovem para mand\u00e1-lo trabalhar a terra longe de casa faz um verdadeiro sacrif\u00edcio, mas ela o fez, n\u00e3o apenas para eliminar um diss\u00eddio de fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m para guiar Jo\u00e3o pelo caminho que o sonho revelara a ela (e a ele). (…) A Divina Provid\u00eancia concedeu-lhe a gra\u00e7a de ser uma educadora “salesiana”\u00bb.23<\/sup><\/p>

3.\u00a0 O SONHO PROF\u00c9TICO: Uma joia preciosa no carisma da Fam\u00edlia de Dom Bosco<\/h1>

Algumas linhas atr\u00e1s l\u00edamos que o P. Filipe Rinaldi convidava os irm\u00e3os, e sem d\u00favida naquele momento, as Filhas de Maria Auxiliadora, os Salesianos Cooperadores, os Devotos de Maria Auxiliadora, e imagino que os Ex-Alunos e as Ex-Alunas, a lerem o sonho para aprofund\u00e1-lo, interioriz\u00e1-lo e sentirem o seu eco no cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho d\u00favidas quanto a isso! Existe certamente unanimidade em todos os tipos de textos \u2013 sejam pesquisas hist\u00f3ricas, estudos hist\u00f3rico-cr\u00edticos, reflex\u00f5es sobre a espiritualidade salesiana ou leituras educativo-pastorais \u2013, de que este sonho \u00e9 muito mais do que um simples sonho. Ele cont\u00e9m muit\u00edssimos elementos carism\u00e1ticos que ouso cham\u00e1-lo de uma preciosa joia do nosso carisma e um verdadeiro roteiro para a Fam\u00edlia de Dom Bosco.<\/em><\/p>

Pode-se realmente dizer que nele nada \u00e9 sup\u00e9rfluo e nada falta. \u00c9 a isso que desejo me referir agora.<\/p>

3.1.\u00a0 Olhando para o Sonho<\/p>

Para onde olhar neste momento? Em primeiro lugar, para o pr\u00f3prio Sonho, <\/strong>pois ele cont\u00e9m uma riqueza carism\u00e1tica surpreendente. Como j\u00e1 disse, n\u00e3o cont\u00e9m uma palavra a mais e tamb\u00e9m n\u00e3o falta nada. \u00c9 mais do que evidente o esfor\u00e7o de Dom Bosco na sua reda\u00e7\u00e3o para nos dizer que n\u00e3o se trata apenas de “um” sonho, mas devemos v\u00ea-lo como “o” sonho <\/strong>que marcaria toda a sua vida, embora n\u00e3o pudesse imagin\u00e1-lo no momento em que era apenas uma crian\u00e7a. De fato, \u00abDom Bosco quase aos sessenta anos \u2013 sentia-se muito velho e o era para aquele tempo \u2013 devia ter-se colocado a quest\u00e3o de dar uma fundamenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-espiritual \u00e0 sua Congrega\u00e7\u00e3o, com o objetivo de recuperar as origens providenciais que a justificavam. O que poderia ser melhor do que “narrar” aos seus filhos como a “Congrega\u00e7\u00e3o dos Orat\u00f3rios”, em sua g\u00eanese, desenvolvimento, finalidade e m\u00e9todo, foi uma institui\u00e7\u00e3o criada por Deus como instrumento para a salva\u00e7\u00e3o da juventude nos novos tempos?\u00bb. 24<\/sup> De fato, as Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio <\/em>(MO), onde Dom Bosco narra o sonho, nada mais s\u00e3o do que o sonho desdobrado em sua hist\u00f3ria de vida, no Orat\u00f3rio e na Congrega\u00e7\u00e3o. Por isso ele tamb\u00e9m diz na introdu\u00e7\u00e3o do seu manuscrito:<\/p>

\u00abAqui estou a relatar detalhadamente confid\u00eancias de fam\u00edlia. Poder\u00e3o servir de luz e proveito \u00e0 institui\u00e7\u00e3o que \u00e0 Sociedade de S\u00e3o Francisco de Sales dignou-se confiar a Provid\u00eancia divina\u00bb.25<\/sup> E \u00abpara que servir\u00e1 ent\u00e3o este trabalho? Servir\u00e1 de norma para superar as dificuldades futuras, aprendendo as li\u00e7\u00f5es do passado; servir\u00e1 para dar a conhecer como o pr\u00f3prio Deus conduziu todas as coisas a cada momento; servir\u00e1 de ameno entretenimento para meus filhos quando lerem as aventuras em que andou metido seu pai; e haver\u00e3o de l\u00ea-las com mais gosto quando, chamado por Deus a prestar conta dos meus atos, j\u00e1 n\u00e3o estiver entre eles\u00bb.26<\/sup><\/p>

\u00abA narra\u00e7\u00e3o das Memorias do Orat\u00f3rio <\/em>(e o Sonho dos nove anos como parte delas), tem sido de tal transcend\u00eancia que envolveu em seu estudo importantes especialistas salesianos durante toda uma vida, colhendo com o passar dos anos perspectivas diferentes. Uma demonstra\u00e7\u00e3o rica e digna de aten\u00e7\u00e3o, por exemplo, est\u00e1 nas diversas \u00eanfases que o grande estudioso da pedagogia salesiana, Pietro Braido, fez ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas. Seria “uma hist\u00f3ria edificante deixada pelo fundador aos membros da Sociedade de ap\u00f3stolos e educadores, que deveriam perpetuar a sua obra e o seu estilo, seguindo as suas diretrizes, orienta\u00e7\u00f5es e ensinamentos” (1965) ou “uma hist\u00f3ria do Orat\u00f3rio mais ‘teol\u00f3gica’ e pedag\u00f3gica do que real, talvez o documento ‘te\u00f3rico’ de anima\u00e7\u00e3o mais longamente meditado e desejado por Dom Bosco” (1989); “talvez o livro mais rico de conte\u00fado e orienta\u00e7\u00f5es preventivas” que Dom Bosco tenha escrito: um manual de pedagogia e espiritualidade ‘narrada’ em clara perspectiva oratoriana” (1999); ou ainda um texto em que “a par\u00e1bola e a mensagem” v\u00eam antes e “al\u00e9m da hist\u00f3ria”, para ilustrar a a\u00e7\u00e3o de Deus nas vicissitudes humanas e, assim, alegrando e recriando, “confortar e confirmar os disc\u00edpulos” em clara perspectiva “oratoriana” (1999)\u00bb. 27<\/sup><\/p>

Uma das pedras preciosas dessa joia, \u00e0 qual me refiro, \u00e9 aquela que permite que n\u00f3s, que entramos no sonho com cora\u00e7\u00e3o salesiano, seja qual for o nosso caminho salesiano-crist\u00e3o ou na Fam\u00edlia de Dom Bosco, sejamos questionados em nosso cora\u00e7\u00e3o: estamos prontos a aprender, estamos dispostos a nos deixar surpreender por Deus que acompanha a nossa vida, assim como guiou a vida de Dom Bosco e a nos sentirmos filhos e filhas diante da imensa paternidade que emana da figura do nosso pai? Porque:<\/p>

  • Se n\u00e3o se fizer DISC\u00cdPULO<\/strong>, aluno disposto a aprender, n\u00e3o se conseguir\u00e1 entrar realmente no esp\u00edrito das Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio <\/em>e do sonho.<\/li>
  • Se n\u00e3o se fizer mais CRENTE <\/strong>e n\u00e3o se tiver a convic\u00e7\u00e3o de que Deus atua na hist\u00f3ria, de Dom Bosco e pessoal de cada um, pouco ou nada entender\u00e1 das Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio <\/em>e do sonho, e tudo n\u00e3o passar\u00e1 de uma “bela hist\u00f3ria”.<\/li>
  • E se n\u00e3o se fizer FILHO ou FILHA<\/strong>, n\u00e3o conseguir\u00e1 sintonizar-se na frequ\u00eancia habitual com que Dom Bosco comunica tanta paternidade com aquilo que narra neste escrito.<\/li><\/ul>

    Parece-me que essas tr\u00eas disposi\u00e7\u00f5es iniciais (f\u00e9, filia\u00e7\u00e3o e discipulado) s\u00e3o “chaves essenciais” para compreender e assumir, por n\u00f3s mesmos, o que Dom Bosco narrou e nos deixou como heran\u00e7a espiritual. O que aconteceu em sua vida, que o marcou e iluminou para sempre, Dom Bosco quis que fosse um legado que ajudasse profundamente os seus salesianos e todos n\u00f3s que, pela gra\u00e7a, nos sentimos e fazemos parte da sua Fam\u00edlia.<\/p>

    3.2.\u00a0 Os jovens, protagonistas do sonho…<\/h2>

    Desde o primeiro momento do sonho evidencia-se a “miss\u00e3o oratoriana” confiada a Jo\u00e3ozinho Bosco, mesmo que ele n\u00e3o saiba muito bem como agir, nem como express\u00e1-lo. Vemos, por\u00e9m, que a cena est\u00e1 cheia de meninos, meninos absolutamente reais no sonho de Jo\u00e3ozinho.<\/p>

    Pode-se dizer \u2013 parece-me \u2013 que os jovens <\/strong>s\u00e3o os protagonistas centrais do sonho e, embora n\u00e3o digam uma palavra, tudo gira ao seu redor; at\u00e9 mesmo os personagens “celestes” e o pr\u00f3prio Jo\u00e3ozinho Bosco est\u00e3o ali por causa deles. O sonho todo \u00e9 dos meninos, e para eles. Se exclu\u00edssemos os jovens desse sonho, n\u00e3o restaria nada que fosse significativo para a miss\u00e3o.<\/p>

    O interessante, por\u00e9m, \u00e9 que os meninos n\u00e3o est\u00e3o como numa fotografia que fixa a imagem de um determinado momento (e isso certamente nem era poss\u00edvel na \u00e9poca); eles est\u00e3o em cont\u00ednuo movimento e a\u00e7\u00e3o, quer quando s\u00e3o agressivos (como lobos), quando talvez nem consigam se suportar uns aos outros, quer quando s\u00e3o transformados <\/em>gra\u00e7as ao milagre do modo de fazer que a Senhora do sonho pede a Jo\u00e3ozinho; com esse modo de fazer, eles ser\u00e3o transformados (como cordeiros) em meninos serenos, simp\u00e1ticos e cordiais. O mais importante no sonho, que o pr\u00f3prio Dom Bosco aprende e, depois, aprender\u00e3o todos os seus seguidores, \u00e9 a possibilidade do processo de transforma\u00e7\u00e3o: <\/em>trata-se de um movimento \u2013 permito-me dizer \u2013 “pascal”, de mudan\u00e7a e transforma\u00e7\u00e3o de lobos em cordeiros, de cordeiros em uma \u2013 dir\u00edamos na linguagem de hoje \u2013 comunidade juvenil que celebra Jesus e Maria. Parece-me, certamente, um elemento essencial e central do sonho.<\/p>

    3.3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 onde h\u00e1 um claro chamado vocacional<\/h2>

    \u00abEis o teu campo: torna-te humilde, forte, robusto; e o que v\u00eas acontecer aos animais neste momento, dever\u00e1s faz\u00ea-lo para os meus filhos\u00bb.28<\/sup> O que acontece no sonho \u00e9, antes de tudo, um chamado, <\/em>um convite, uma voca\u00e7\u00e3o, que parece imposs\u00edvel, inating\u00edvel. Jo\u00e3o Bosco acorda cansado; ele at\u00e9 mesmo chorou; e quando se trata do chamado de Deus (o personagem de aspecto majestoso do sonho \u00e9 Jesus), a dire\u00e7\u00e3o que esse chamado pode tomar \u00e9 imprevis\u00edvel e desconcertante.<\/p>

    Este chamado \u00e9 algo muito especial no sonho e de uma riqueza \u00edmpar<\/em>. Digo-o porque pareceria n\u00e3o haver outro futuro poss\u00edvel e diferente para Jo\u00e3o a n\u00e3o ser, certamente, viver como um bom agricultor. As causas disso eram a sua idade, a orfandade, a quase total falta de recursos, a pobreza, as contrariedades internas na fam\u00edlia, os contrates com o meio-irm\u00e3o Antonio, as dificuldades de acesso \u00e0 escola devido \u00e0 dist\u00e2ncia e a necessidade do trabalho no campo. Pode parecer-nos um sonho imposs\u00edvel, distante, destinado talvez a outra pessoa, mas n\u00e3o a ele. Mesmo na interpreta\u00e7\u00e3o familiar do sonho, as palavras da av\u00f3 parecem confirm\u00e1-lo: \u00ab N\u00e3o se deve fazer caso dos sonhos\u00bb.29<\/sup><\/p>

    Todavia, \u00e9 exatamente a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o que torna Dom Bosco (no momento, Jo\u00e3ozinho) muito humano, carente de ajuda, mas tamb\u00e9m forte e entusiasmado. A for\u00e7a de vontade, o car\u00e1ter, o temperamento, a fortaleza e a determina\u00e7\u00e3o de Mam\u00e3e Margarita com sua profunda f\u00e9 e a f\u00e9 dele mesmo, tornam tudo isso poss\u00edvel. O Sonho estar\u00e1 sempre presente, e ele o descobrir\u00e1 ao longo da vida: fui entendendo, \u00e0 medida que, pouco a pouco, tudo ia sendo realizado<\/em>\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 m\u00e1gica, n\u00e3o \u00e9 um sonho de “fadas”, n\u00e3o h\u00e1 predestina\u00e7\u00e3o, mas uma vida cheia de significado, de exig\u00eancias, de sacrif\u00edcio, mas tamb\u00e9m de f\u00e9 e esperan\u00e7a que impulsiona a descobri-la e viv\u00ea-la todos os dias.<\/p>

    No sonho, aparece um homem muito respeit\u00e1vel, de aspecto varonil, que fala com Jo\u00e3o, questiona- o e coloca-o nas m\u00e3os da sua M\u00e3e, a Senhora. H\u00e1 certamente o envio para uma miss\u00e3o. Uma miss\u00e3o de pastor-educador em que tamb\u00e9m se indica a m\u00e9todo: a mansid\u00e3o e a caridade. Eis um exemplo da sua resposta vocacional:<\/p>

    \u00abJo\u00e3o, fiel desde cedo \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o divina, come\u00e7ou a trabalhar no campo que lhe fora indicado pela Provid\u00eancia. Ainda n\u00e3o tinha dez anos e em Murialdo j\u00e1 era um ap\u00f3stolo entre os conterr\u00e2neos. N\u00e3o ser\u00e1 este um Orat\u00f3rio Festivo em linhas gerais, ainda que embrion\u00e1rio, iniciado pelo pequeno Jo\u00e3o em 1825, servindo-se dos meios compat\u00edveis com a sua idade e instru\u00e7\u00e3o? Dotado de mem\u00f3ria prodigiosa, amante dos livros, ass\u00edduo \u00e0s prega\u00e7\u00f5es, ele faz de tudo um tesouro, instru\u00e7\u00f5es, fatos, exemplos, para repeti-los ao seu pequeno p\u00fablico, instilando com admir\u00e1vel efic\u00e1cia o amor pela virtude em todos aqueles que v\u00eam admirar a sua habilidade nos jogos e ouvir a sua palavra infantil, mas calorosa\u00bb.30<\/sup><\/p>

    3.4.\u00a0 Ela, Maria, marcar\u00e1 para sempre o Sonho de Jo\u00e3ozinho e a vida de Dom Bosco<\/h2>

    Chegamos ao momento central do sonho: a media\u00e7\u00e3o materna da Senhora (ligada ao mist\u00e9rio do nome). Para Jo\u00e3ozinho Bosco, a sua m\u00e3e e a M\u00e3e d’Aquele que ele sa\u00fada tr\u00eas vezes ao dia, ser\u00e3o um espa\u00e7o de humanidade onde repousar, onde encontrar seguran\u00e7a e abrigo nos momentos mais dif\u00edceis.<\/p>

    \u00ab”Eu te darei a mestra, sob cuja orienta\u00e7\u00e3o poder\u00e1s tornar-te s\u00e1bio, e sem a qual toda sabedoria se converte em estultice”. De fato, \u00e9 Ela que indica tanto o campo onde dever\u00e1 trabalhar como tamb\u00e9m a metodologia a utilizar: “Eis o teu campo, onde deves trabalhar. Torna-te humilde, forte, robusto”. Maria \u00e9 interpelada, desde o in\u00edcio, para o nascimento de um novo carisma, pois \u00e9 justamente a sua especialidade carregar e dar \u00e0 luz; por isso, quando se trata de um Fundador, que deve receber do Esp\u00edrito Santo a luz original do carisma, o Senhor disp\u00f5e que seja a sua pr\u00f3pria m\u00e3e, a Virgem de Pentecostes e modelo imaculado da Igreja, a ser a sua Mestra. Somente ela, a “cheia de gra\u00e7a”, compreende todos os carismas a partir de dentro, como uma pessoa que conhece todas as l\u00ednguas e as fala como se fossem suas\u00bb.31<\/sup><\/p>

    E o que o Senhor do sonho diz ao jovem Jo\u00e3ozinho Bosco \u00e9 como se lhe dissesse: “De agora em diante, entende-te com ela”.<\/p>

    \u00abNotamos logo que n\u00e3o \u00e9 Jo\u00e3ozinho que escolhe Maria, mas \u00e9 justamente Maria que toma a iniciativa da escolha: a pedido do seu Filho, ser\u00e1 a Inspiradora e a Mestra da sua voca\u00e7\u00e3o\u00bb.32<\/sup><\/p>

    Esta dimens\u00e3o feminino-materno-mariana <\/strong>talvez seja uma das dimens\u00f5es mais desafiadoras do sonho. Quando olhamos para a realidade com serenidade, esse aspecto se transforma em algo belo. \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus que lhe d\u00e1 uma Mestra<\/em>, que \u00e9 a sua m\u00e3e, <\/em>e quanto ao “seu nome deve perguntar para Ela”; Jo\u00e3ozinho deve trabalhar “com os seus filhos”, e ser\u00e1 “Ela” que cuidar\u00e1 da continuidade do sonho na vida e o levar\u00e1 pela m\u00e3o at\u00e9 o fim de seus dias, at\u00e9 o momento em que ele realmente “tudo compreender\u00e1”.<\/p>

    H\u00e1 uma enorme intencionalidade em querer dizer que, no carisma salesiano em favor dos meninos e das meninas mais pobres, carentes e sem afeto, a dimens\u00e3o de lidar com a “do\u00e7ura”, com a mansid\u00e3o e a caridade, assim como a dimens\u00e3o “mariana”, s\u00e3o elementos indispens\u00e1veis <\/em>para quem deseja viver esse carisma. A Virgem tem a ver com a forma\u00e7\u00e3o na “sabedoria do carisma”. Por isso, \u00e9 dif\u00edcil entender que no carisma salesiano haja algu\u00e9m (pessoa, grupo ou institui\u00e7\u00e3o) que deixe a presen\u00e7a mariana em segundo plano. Sem Maria de Nazar\u00e9, fala-se de outro carisma, mas n\u00e3o do carisma salesiano, nem dos filhos e filhas de Dom Bosco.<\/p>

    O P. Ziggiotti o diz de maneira admir\u00e1vel na pesquisa que fizemos dos coment\u00e1rios dos Reitores- Mores sobre o Sonho:<\/p>

    \u00abGostaria de persuadir todos os salesianos deste fato muito importante, que ilumina toda a exist\u00eancia do Santo com a luz celeste e, portanto, d\u00e1 um valor indiscut\u00edvel a tudo o que ele fez e disse em sua vida: Nossa Senhora, a quem ele foi consagrado por sua m\u00e3e ao nascer, que iluminou o seu futuro no sonho dos nove anos <\/em>e depois voltou para confort\u00e1-lo e aconselh\u00e1-lo, sob mil formas, nos sonhos, no esp\u00edrito prof\u00e9tico, na vis\u00e3o interior do estado das almas, nos milagres e gra\u00e7as sem n\u00famero, que ele operou invocando-a; Nossa Senhora \u00e9 tudo para Dom Bosco; e o salesiano que quiser adquirir o esp\u00edrito do Fundador deve imit\u00e1-lo nessa devo\u00e7\u00e3o\u00bb.33<\/sup><\/p>

    3.5.\u00a0 D\u00f3cil ao Esp\u00edrito, confiando na Provid\u00eancia<\/h2>

    Certamente, h\u00e1 muito a aprender. Tornar-se humilde, forte e robusto significa preparar-se para o que nos espera. Jo\u00e3o Bosco dever\u00e1 ser obediente, d\u00f3cil \u00e0 sabedoria do Mestre. Ter\u00e1 de aprender a ver e a descobrir os processos de transforma\u00e7\u00e3o; a entender que o caminho feito com esses meninos leva \u00e0 vida e ao encontro com o Senhor do sonho e com a sua m\u00e3e, leva a Jesus e Maria. Jo\u00e3o Bosco descobriu tudo isso.<\/p>

    O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a obedi\u00eancia a Deus, a docilidade ao Esp\u00edrito. Assim como Maria \u00e9 aquela do “fa\u00e7a-se”, permitindo que aconte\u00e7a nela o que Deus pensou e sonhou, a ponto de proclamar, a partir do seu “fiat” a Deus, que o Senhor fez em mim grandes coisas<\/em>, assim tamb\u00e9m o Salesiano, a Filha de Maria Auxiliadora, cada Salesiano Cooperador, cada devoto de Maria Auxiliadora, cada membro da nossa Fam\u00edlia Salesiana, que \u00e9 a Fam\u00edlia de Dom Bosco, dever\u00e1 aprender e tornar pr\u00f3prio este estilo de docilidade ao Esp\u00edrito<\/em>. Acrescento que gostaria que este estilo se tornasse carne e vida em todas as etapas da forma\u00e7\u00e3o inicial e permanente de cada grupo, congrega\u00e7\u00e3o e institui\u00e7\u00e3o salesiana. E n\u00e3o nos esque\u00e7amos de que os “formadores”, as “formadoras”, deveriam ser, dever\u00edamos ser os primeiros a “deixar-nos formar” pelo Esp\u00edrito, como Maria.<\/p>

    O sonho oferece, como nenhum outro elemento, como nenhuma outra realidade, o que acredito possa ser chamado de pistas “irrenunci\u00e1veis” do DNA do carisma<\/em>. S\u00e3o essas pistas ou “princ\u00edpios” que nos podem ajudar a ler, discernir e agir hoje em sintonia com a fidelidade criativa.<\/p>

    E n\u00e3o nos esque\u00e7amos de que essa \u00e9 uma tarefa comunit\u00e1ria: devemos realiz\u00e1-la juntos, como Fam\u00edlia Salesiana, “de modo sinodal” \u2013 poder\u00edamos dizer hoje \u2013, alinhados com os recentes trabalhos sinodais.<\/p>

    Acompanhar Dom Bosco na reflex\u00e3o sobre o seu sonho aos nove anos \u00e9 tamb\u00e9m evidenciar o seu abandono \u00e0 Provid\u00eancia<\/em>, colocar-nos, como ele, naquele \u00aba seu tempo tudo compreender\u00e1s\u00bb. O sonho foi para Dom Bosco uma a\u00e7\u00e3o da Provid\u00eancia. Essa \u00e9 a sua convic\u00e7\u00e3o radical, a op\u00e7\u00e3o fundamental de vida, “a ess\u00eancia da alma de Dom Bosco”, o ponto central, o mais profundo e \u00edntimo. N\u00e3o resta d\u00favida de que o abandono \u00e0 Divina Provid\u00eancia, como aprendeu de sua m\u00e3e, foi decisivo para o nosso pai e deve ser para n\u00f3s a garantia da continuidade da espiritualidade salesiana. \u00c9 o abandono em Deus, a confian\u00e7a em Deus, <\/em>porque o Deus que Dom Bosco aprendeu a amar \u00e9 um Deus confi\u00e1vel. Ele realmente atua na hist\u00f3ria, e o fez na hist\u00f3ria do Orat\u00f3rio, a ponto de Dom Bosco dizer aos diretores salesianos em 2 de fevereiro de 1876:<\/p>

    \u00abAs outras Congrega\u00e7\u00f5es e Ordens Religiosas tiveram em seu in\u00edcio alguma inspira\u00e7\u00e3o, alguma vis\u00e3o, algum fato sobrenatural que deu impulso \u00e0 funda\u00e7\u00e3o e garantiu o seu estabelecimento; mas para a maioria a coisa permaneceu em um ou alguns desses fatos. Aqui entre n\u00f3s, no entanto, as coisas acontecem de maneira bem diferente. Pode-se dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o tenha sido conhecido antes. Nenhum passo foi dado pela Congrega\u00e7\u00e3o sem ser aconselhado por algum fato sobrenatural; nenhuma mudan\u00e7a, aperfei\u00e7oamento ou amplia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tenha sido precedida por uma ordem do Senhor… N\u00f3s, por exemplo, poder\u00edamos ter escrito todas as coisas que nos aconteceram antes que acontecessem e t\u00ea-las escrito minuciosamente e com precis\u00e3o\u00bb.34<\/sup><\/p>

    3.6.\u00a0 Mas, \u00abn\u00e3o com pancadas\u00bb. A arte da do\u00e7ura e a paci\u00eancia educativa<\/h2>

    O Sonho fala-nos n\u00e3o s\u00f3 de um passado, mas tamb\u00e9m nos transporta para um presente, um hoje, que \u00e9 extremamente atual. O \u00abn\u00e3o com pancadas\u00bb que Nossa Senhora diz a Jo\u00e3ozinho tamb\u00e9m nos desafia hoje e torna mais necess\u00e1rio do que nunca pensar em nosso modo salesiano de educar os jovens, porque aumenta sempre mais o discurso do \u00f3dio e da viol\u00eancia. O nosso mundo vai se tornando sempre mais violento e n\u00f3s, educadores e evangelizadores dos jovens, devemos ser uma alternativa \u00e0quilo que tanto angustiou Jo\u00e3ozinho no seu sonho e que hoje tanto nos pesa. Como declarou certa vez o Reitor-Mor P. Pascual Ch\u00e1vez, na Estreia de 2012,35<\/sup> devemos, sem d\u00favida, “enfrentar os lobos” que querem devorar o mundo: o indiferentismo, o relativismo \u00e9tico, o consumismo que distorce o valor das coisas e das experi\u00eancias, as falsas ideologias e outras coisas que realmente nos atingem e s\u00e3o verdadeira viol\u00eancia.<\/p>

    Acredito que esta mensagem \u00e9 t\u00e3o relevante hoje quanto era quando Jo\u00e3ozinho (o nosso futuro Dom Bosco, pai e mestre) a recebeu.<\/p>

    O \u00abn\u00e3o com pancadas\u00bb <\/strong>\u00e9 um n\u00e3o “absoluto”. \u00c9 muito claro, e \u00e9 a \u00fanica corre\u00e7\u00e3o, quase uma reprimenda, poder\u00edamos dizer, que Jo\u00e3o Bosco recebe no sonho. E, antes de tudo, \u00e9 para n\u00f3s uma certeza, a grande certeza de que pelo caminho da for\u00e7a e da viol\u00eancia n\u00e3o se vai na boa dire\u00e7\u00e3o do carisma. As pancadas do sonho podem assumir hoje milhares de formas. Por isso, interessei-me em<\/p>
    \u00a0<\/td><\/tr>
    \u00a0<\/td>\u00a0<\/td><\/tr><\/tbody><\/table>

    ler, pensar e detalhar muitas das formas mais ou menos sutis de viol\u00eancia que nos rodeiam e devem ser banidas do nosso mundo salesiano educativo, pastoral, curativo e evangelizador.<\/p>

    Para n\u00f3s o \u00abn\u00e3o com pancadas\u00bb <\/strong>significa combater conscientemente, sem nenhum tipo de justificativa, todo tipo de viol\u00eancia:<\/p>

    • Viol\u00eancia f\u00edsica, <\/em>que prejudica o corpo (viol\u00eancia que d\u00e1 empurr\u00e3o, chute, tapa, encurrala ou imobiliza, que atira objetos).<\/li>
    • Viol\u00eancia psicol\u00f3gica e verbal, <\/em>que prejudica a autoestima. Viol\u00eancia que insulta e desqualifica, isola, monitora e controla sem respeito. Viol\u00eancia e abuso psicol\u00f3gico que faz com que algumas pessoas sintam que nunca d\u00e3o o suficiente de si mesmas; viol\u00eancia que leva as pessoas a sempre se considerem diferentes e erradas, at\u00e9 mesmo imaturas por pensarem honestamente o que pensam; viol\u00eancia e abuso da parte de quem s\u00f3 se interessa pelo outro quando quer tirar proveito disso.<\/li>
    • Viol\u00eancia afetivo-sexual, <\/em>que prejudica o corpo, o cora\u00e7\u00e3o e os afetos mais \u00edntimos; que deixa rastros indel\u00e9veis de dor. E pode manifestar-se verbalmente ou por escrito, com olhares ou sinais que denotam obscenidade, ass\u00e9dio, bullying e at\u00e9 mesmo abuso.<\/li>
    • Viol\u00eancia econ\u00f4mica <\/em>quando o dinheiro que serve para fazer o bem \u00e9 retido, desviado,<\/li>
    • Viol\u00eancia tamb\u00e9m cibern\u00e9tica <\/em>(“ciberbulismo” com ass\u00e9dio atrav\u00e9s da internet, de sites, blogs, mensagens de texto ou e-mails, v\u00eddeos).<\/li>
    • Viol\u00eancia que nasce da exclus\u00e3o social <\/em>de pessoas, alunos, adolescentes exclu\u00eddos ou humilhados em p\u00fablico sem nenhum respeito.<\/li><\/ul>

      Viol\u00eancia, enfim, caracterizada por maus-tratos, por verbos como amea\u00e7ar, manipular, desvalorizar, negar, questionar, humilhar, insultar, desqualificar, zombar, mostrar indiferen\u00e7a.<\/p>

      N\u00e3o resta d\u00favida de que, carismaticamente, possu\u00edmos o ant\u00eddoto para essas situa\u00e7\u00f5es que prejudicam a vida. \u00c9 o g\u00eanio pastoral de Dom Bosco: \u00abLembrando, tamb\u00e9m, que a interven\u00e7\u00e3o de Maria no primeiro sonho de Jo\u00e3ozinho Bosco configurou de in\u00edcio a \u201c\u00edndole apost\u00f3lica\u201d que nos caracteriza na Igreja, convido-vos a juntos concentrarmos a nossa reflex\u00e3o sobre o projeto que caracteriza a nossa peculiar fei\u00e7\u00e3o pastoral: o Sistema Preventivo\u00bb.36<\/sup><\/p>

      3.7.\u00a0 ELA, a Senhora: Mestra e M\u00e3e<\/h2>

      A Senhora do sonho \u00e9 apresentada como Mestra <\/strong>e M\u00e3e<\/strong>. Ela \u00e9 a m\u00e3e de ambos, do homem venerando do sonho e do pr\u00f3prio Jo\u00e3ozinho; m\u00e3e \u2013 permitam-me a par\u00e1frase \u2013 que, tomando-o pela m\u00e3o, lhe diz:<\/p>

      \u00abOlha\u00bb: <\/em><\/strong>o importante para n\u00f3s \u00e9 saber olhar, e \u00e9 grave quando n\u00e3o somos capazes de \u00abolhar\u00bb <\/em>os jovens em sua realidade, naquilo que s\u00e3o; incapazes de ver o que h\u00e1 de mais aut\u00eantico neles e o mais tr\u00e1gico e doloroso deles e de suas vidas. “Olha” <\/em>\u00e9 a primeira palavra dita pela \u00abSenhora de aspecto majestoso, vestida de um manto todo resplandecente, como se cada uma de suas partes fosse fulgid\u00edssima estrela\u00bb e que Dom Bosco escreve como primeira palavra que ouve dela no sonho.<\/p>

      Sem querer “interpretar” demais um \u00fanico verbo, parece-me que h\u00e1 um sinal “preventivo” do que ser\u00e1, de fato, o caminho que o nosso pai ir\u00e1 percorrer, feito sobretudo de aprendizagem experiencial<\/em>. Pensemos no quanto contam os olhos na vida de Dom Bosco… \u00c9 o que ele v\u00ea quando chega a Turim \u2013 ou melhor, o que Cafasso o ajuda a ver \u2013 dando origem \u00e0 nossa miss\u00e3o. \u00c9 como v\u00ea <\/em>cada menino (recordemos os primeiros encontros nas biografias que escreveu): ali est\u00e1 o incipit que \u00e9 como um milagre ao qual se segue todo o resto, seja para S\u00e1vio, para Magone, para Cagliero, para Rua… H\u00e1 no museu de Chieri uma escultura representando os olhos e os olhares de Dom Bosco, que ficara ao lado do seu altar em 1988. H\u00e1 algo de \u00fanico em seu olhar e aquele \u00abolha\u00bb, dito pela Senhor n\u00e3o \u00e9, \u00e0 sua maneira, menos original e \u00fanico.<\/p>

      \u00c9 exatamente em torno desse “olhar” que se pode encontrar uma refer\u00eancia expl\u00edcita a uma palavra t\u00e3o fundamental para n\u00f3s como assist\u00eancia<\/em>. E todos n\u00f3s sabemos o quanto ela \u00e9 essencial.<\/p>

      A minha aten\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o se afasta muito do prado dos sonhos nos Becchi, porque, de fato, sem que Jo\u00e3ozinho perceba, ele ser\u00e1 formado eminentemente pela experi\u00eancia<\/em>: aprender\u00e1 com a vida, especialmente nos momentos de extrema dificuldade e cansa\u00e7o.<\/p>

      Olha <\/em>leva a pessoa descentrar-se, a compreender algo que vai al\u00e9m do pr\u00f3prio horizonte e ultrapassa a pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o, e se torna um convite, um desafio, uma provoca\u00e7\u00e3o, um apelo e um guia. Porque exige um envolvimento total e completo mediante o qual Jo\u00e3o se prodigalizar\u00e1 pelo bem dos jovens. A partir disso, tamb\u00e9m se compreende a import\u00e2ncia do ambiente <\/em>em toda a pedagogia salesiana.<\/p>

      Nada \u00e9 tirado do cuidado indispens\u00e1vel da interioridade, do sil\u00eancio. Somos chamados a elevar o nosso olhar, tanto quando o fixamos no mist\u00e9rio de Deus, como quando passamos pelo homem que desceu de Jerusal\u00e9m a Jeric\u00f3 e caiu nas m\u00e3os de bandidos.<\/p>

      \u00abAprende\u00bb<\/em><\/strong>, ou seja, torna-te humilde, forte e robusto, <\/em>porque precisar\u00e1s de simplicidade (diante de tanta soberba), fortaleza (diante de tanta coisa que deves enfrentar na vida) e aquela robustez que \u00e9 resili\u00eancia (ou capacidade de n\u00e3o se deixar abater, de n\u00e3o deixar baixar os bra\u00e7os como sinal de que nada se pode fazer).<\/p>

      Parece-me formid\u00e1vel ver que aquilo que o torna “doce” (humilde, forte, robusto) s\u00e3o os eventos <\/em>(a experi\u00eancia) que a Provid\u00eancia (Maria) colocam no seu caminho…, logo a partir do que lhe acontece algum tempo depois do sonho, quando, em fevereiro de 1828 (ele tinha apenas 12 anos), Margarida deve afast\u00e1-lo de casa por causa das desaven\u00e7as com Antonio. Chega \u00e0 noite no s\u00edtio dos Moglia, onde o aceitam mais por piedade do que por necessidade real \u2013 no inverno n\u00e3o se contratavam ajudantes \u2013, longe o suficiente para ser a \u00faltima porta onde bater, mas ao mesmo tempo perto o suficiente de Moncucco aonde ia aos domingos de manh\u00e3; ali vivia um dos melhores p\u00e1rocos da diocese de Turim, o P. Francisco Cottino (sobre quem a nossa literatura salesiana ainda fala muito pouco). Com ele, Jo\u00e3o encontra-se todos os domingos. \u00c9 o primeiro “cara a cara”, o primeiro encontro com um verdadeiro guia. Assim, uma temporada que s\u00f3 poderia ser triste e sombria torna-se uma ocasi\u00e3o muito importante para o seu caminho. Sabemos que em 3 de novembro de 1829 o tio Miguel o levar\u00e1 de volta \u00e0 fam\u00edlia, aos Becchi. E que, em 5 de novembro, voltando da miss\u00e3o em Buttigliera encontrar\u00e1 o P. Calosso<\/p>

      Acredito ser muito importante evidenciar com toda a for\u00e7a o qu\u00e3o incr\u00edvel \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o- acompanhamento da Provid\u00eancia. Jo\u00e3o corresponde entregando-se livremente com todo o seu ser enquanto acontecimentos e pessoas que se sucedem no momento certo s\u00e3o os art\u00edfices daquele<\/p>

      \u00abhumilde, forte e robusto\u00bb indispens\u00e1vel para a miss\u00e3o que, entretanto, amadurece sempre mais.<\/p>

      \u00c9 evidente o primado da Gra\u00e7a<\/em>, que se aplica primeiramente a n\u00f3s, se formos capazes de nos deixar formar, e torna-se muito frutuoso para a miss\u00e3o. Assim, n\u00e3o h\u00e1 mais limites ou dificuldades que impe\u00e7am o crescimento em vista da plenitude da vida, da santidade, seja qual for o contexto, mesmo o mais desafiador.<\/p>

      Obviamente, tudo isso n\u00e3o exime de fazer todos os esfor\u00e7os para melhorar as situa\u00e7\u00f5es e superar as injusti\u00e7as. De fato, Dom Bosco se “aliar\u00e1” \u00e0 Provid\u00eancia sem limitar os seus esfor\u00e7os, os encontros, a reda\u00e7\u00e3o de “contratos de trabalho” para defender e proteger (e \u00e9 o primeiro a faz\u00ea-lo!) os jovens aprendizes acolhidos no seu primeiro orat\u00f3rio. Acima de tudo, n\u00e3o lhes tira o c\u00e9u! <\/em>Indicando que sempre h\u00e1 “algo a mais”, um objetivo maior ao qual todos podem ter acesso.<\/p>

      Li\u00e7\u00e3o an\u00e1loga foi sugerida por Madre Teresa de Calcut\u00e1 com a sua dedica\u00e7\u00e3o “in\u00fatil” aos moribundos de Calcut\u00e1. A prop\u00f3sito, em um cartaz que ela escreveu \u00e0 m\u00e3o e pendurou em seu quarto no in\u00edcio da sua nova vida para os mais pobres dos pobres, ela fixou em preto e branco estas palavras: “Da mihi animas cetera tolle”.<\/em><\/p>

      \u00abE sejam pacientes\u00bb, <\/em><\/strong>ou seja, demos tempo a tudo e deixemos que Deus seja Deus.<\/p>

      4.\u00a0 UM SONHO QUE FAZ SONHAR<\/h1>

      Queridos membros da Fam\u00edlia Salesiana, n\u00e3o poderia concluir estas p\u00e1ginas que nos aproximam do segundo centen\u00e1rio do “sonho dos 9 anos” sem expressar alguns sonhos que trago no cora\u00e7\u00e3o para os jovens e para todos n\u00f3s. Podem identificar-se com nobres desejos de continuar a crescer na fidelidade carism\u00e1tica; ou com o anseio e a provoca\u00e7\u00e3o serena diante de mudan\u00e7as que nos s\u00e3o dif\u00edceis, resist\u00eancias que podem tirar o brilho do nosso carisma; ou, ainda, com aspira\u00e7\u00f5es profundas que desejam traduzir em realidade o sonho de Dom Bosco, embora duzentos anos depois!<\/p>

      Compartilho-os com voc\u00eas, na esperan\u00e7a de que quem me ler, em qualquer lugar do vasto mundo salesiano, possa sentir que algo do que est\u00e1 escrito aqui tamb\u00e9m se destina a ele ou ela. Estes, entre muitos outros poss\u00edveis, parecem-me ser alguns elementos concretos para a concretiza\u00e7\u00e3o do sonho dos nove anos:<\/p>

      1. Como Dom Bosco nos mostrou ao longo da sua vida, somente as rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas transformam e O Papa Francisco diz a mesma coisa: \u00abn\u00e3o \u00e9 suficiente dispor de estruturas; \u00e9 preciso que nelas se desenvolvam rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas; efetivamente \u00e9 a qualidade de tais rela\u00e7\u00f5es que evangeliza\u00bb.37<\/sup> Por isso, exprimo o meu desejo de que cada casa da nossa Fam\u00edlia Salesiana no mundo seja espa\u00e7o verdadeiramente educativo, espa\u00e7o de rela\u00e7\u00f5es respeitosas, espa\u00e7o que ajude as pessoas a crescerem de modo saud\u00e1vel. Acredito que devemos fazer a diferen\u00e7a porque as rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas est\u00e3o na origem do nosso carisma, na origem do encontro de Dom Bosco com Bartolomeu Garelli, na origem da mesma voca\u00e7\u00e3o de Dom Bosco.<\/li><\/ol>
        1. Cada op\u00e7\u00e3o de Dom Bosco fazia parte de um projeto maior: o projeto de Deus para ele. <\/em><\/strong>Por isso, para ele, nenhuma escolha era leviana ou O seu sonho n\u00e3o foi uma historieta em sua vida ou um simples evento, mas uma resposta vocacional, uma op\u00e7\u00e3o<\/em>, um caminho, um programa de vida que foi tomando forma na medida em que era vivido. Eu sonho ver em todos os Salesiano, em todos os membros da nossa Fam\u00edlia de Dom Bosco, um grupo de pessoas que, por voca\u00e7\u00e3o e escolha, se sente desconfort\u00e1vel no conforto e sente na pr\u00f3pria pele a dor, o cansa\u00e7o e a batalha de tantas fam\u00edlias e tantos jovens que lutam todos os dias para sobreviver ou viver com um pouco mais de dignidade. E que nenhum de n\u00f3s seja reduzido a espectador passivo ou indiferente \u00e0 dor e ang\u00fastia de tantos jovens.<\/li>
        2. \u00abO sonho primordial, o sonho criador de Deus nosso Pai, precede e acompanha a vida de todos os seus filhos\u00bb.38<\/sup> O nosso Deus tem um sonho para cada um de n\u00f3s, para cada um dos nossos jovens, <\/em><\/strong>um projeto concebido, “desenhado” para n\u00f3s por Ele mesmo. O segredo da t\u00e3o desejada felicidade de cada pessoa ser\u00e1 justamente descobrir a correspond\u00eancia e o encontro entre esses dois sonhos: o nosso e o de Deus<\/em>. Perceber qual \u00e9 o sonho de Deus para cada um de n\u00f3s \u00e9, antes de tudo, perceber que o Senhor nos deu a vida porque nos ama, para al\u00e9m do que somos, inclusive dos nossos pr\u00f3prios limites. <\/em>Devemos crer, ent\u00e3o, que o nosso Deus quer fazer grandes coisas em cada um de n\u00f3s! Somos muito preciosos, temos um grande valor, porque, sem cada um de n\u00f3s, alguma coisa n\u00e3o poder\u00e1 ser Na verdade, existir\u00e3o pessoas que s\u00f3 eu poderei amar, palavras que s\u00f3 eu poderei dizer, momentos que s\u00f3 eu poderei compartilhar.<\/li>
        3. Sem sonhos n\u00e3o existe vida. Para os seres humanos, para todos n\u00f3s, sonhar \u00e9 projetar-se, \u00e9 ter um ideal, um sentido na vida. A pior pobreza dos jovens \u00e9 n\u00e3o os deixar sonhar, \u00e9 roubar os seus sonhos ou impor-lhes sonhos pr\u00e9-fabricados. Cada um de n\u00f3s \u00e9 um sonho de Deus! qual \u00e9 o meu? por que Ele me sonhou? \u00c9 importante descobrir qual \u00e9 o meu sonho, o sonho que Deus tem para E devemos tentar desenvolv\u00ea-lo, realiz\u00e1-lo, porque a nossa felicidade e a felicidade dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s dependem disso.<\/li><\/ol>

          Recordemos que Dom Bosco naquele 16 de maio de 1887 chorou de como\u00e7\u00e3o e alegria quando “viu realizado” o sonho que definia a sua vida, a sua voca\u00e7\u00e3o, a sua miss\u00e3o.<\/p>

          1. Deus faz grandes coisas com “instrumentos humildes” <\/em><\/strong>e fala-nos de muitas maneiras, tamb\u00e9m no fundo do nosso cora\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos sentimentos que se movem no nosso interior, atrav\u00e9s da Palavra de Deus aceita com f\u00e9, aprofundada com paci\u00eancia, interiorizada com amor, seguida com confian\u00e7a. Ajudemo-nos e ajudemos os nossos meninos, meninas e jovens a escutar o pr\u00f3prio interior, a decifrar as mo\u00e7\u00f5es interiores, a dar voz ao que se agita dentro deles e de cada um de n\u00f3s, a reconhecer quais sinais ou “sonhos” nos revelam a voz de Deus e quais, ao contr\u00e1rio, resultam de escolhas equivocadas.<\/li>
          2. \u00abAs dificuldades e fragilidades dos jovens ajudam-nos a ser melhores, as suas exig\u00eancias desafiam-nos e as suas d\u00favidas interpelam-nos sobre a qualidade da nossa f\u00e9. E precisamos tamb\u00e9m das suas cr\u00edticas, porque, n\u00e3o raro, \u00e9 atrav\u00e9s delas que ouvimos a voz do Senhor que nos pede a convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o das estruturas\u00bb.39<\/sup> O verdadeiro educador sabe descobrir, com intelig\u00eancia e paci\u00eancia, o que cada jovem carrega dentro de si e, como tal, colocar\u00e1 em a\u00e7\u00e3o uma boa dose de compreens\u00e3o e afeto, procurando fazer-se 40<\/sup> Sonho e anseio todos os dias em poder<\/li><\/ol>

            encontrar em cada casa salesiana do mundo Salesianos e educadores leigos que acreditam no milagre transformador da educa\u00e7\u00e3o salesiana.<\/p>

            1. Viver humanamente \u00e9 um “tornar-se”, desenvolver-se, desfrutar dos mesmos processos pacientes com que Deus age em nossas Como desejo que a nossa paix\u00e3o educativa se assemelhe \u00e0 de Dom Bosco, pai da “amorevolezza” salesiana! E desejo-o para que em todas as Presen\u00e7as da nossa Fam\u00edlia Salesiana no mundo os jovens e as jovens possam encontrar n\u00e3o s\u00f3 profissionais capacitados, mas verdadeiros educadores-irm\u00e3os-amigos-pais ou m\u00e3es.<\/li>
            2. Dom Bosco, “padre da rua” ad litteram<\/em>, consumiu-se literalmente nesse Os Salesianos, e quem se inspira em Dom Bosco, s\u00e3o, de fato, “filhos de um sonhador de futuro”, mas de um futuro que se constr\u00f3i na confian\u00e7a em Deus e na inser\u00e7\u00e3o cotidiana na vida dos jovens trabalhando por eles, em meio \u00e0s dificuldades e incertezas de cada dia.41<\/sup> Por isso, o dom mais precioso que podemos oferecer aos jovens \u00e9 o encontro com o Senhor da Vida<\/em>, ajudando-os a descobrir o pr\u00f3prio sonho, o sonho de Deus para cada um deles, e apoiando-os em seu caminho na realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Como eu desejo que isso seja realizado em todas as nossas casas!<\/li>
            3. Enquanto o cora\u00e7\u00e3o de Dom Bosco batia em cada momento, n\u00f3s, \u00abconvencidos de que cada jovem traz inscrito no cora\u00e7\u00e3o o desejo de Deus, somos chamados a oferecer as oportunidades de conhecer Jesus, fonte de vida e alegria para todo jovem\u00bb.42<\/sup> Hoje, Dom Bosco n\u00e3o poderia tolerar que nas suas casas, os seus filhos e filhas n\u00e3o propusessem \u00e0s crian\u00e7as, aos adolescentes e aos jovens \u2013 embora na liberdade com que hoje educamos na f\u00e9 nos mais variados contextos \u2013 o encontro com Jesus. Hoje, tamb\u00e9m, somos chamados a torn\u00e1-lo conhecido, a descobrir como Ele fascina cada pessoa ajudando os jovens de outras religi\u00f5es a serem bons crentes a partir da pr\u00f3pria f\u00e9 e dos pr\u00f3prios ideais. Sonho que isso seja uma realidade em todas as casas salesianas do mundo.<\/li>
            4. \u00abA obra salesiana deve visar em todas as partes os jovens mais pobres e necessitados da Sociedade, e usar com eles os milhares de meios previstos pela Dom Bosco chorava ao ver tantos jovens que cresciam arruinados e incr\u00e9dulos; e desejava poder estender os seus cuidados a todos os jovens do mundo \u2013 vigiando, admoestando, instruindo, em uma palavra, prevenindo \u2013. (…) Por isso, ao aceitar novas funda\u00e7\u00f5es, dava prefer\u00eancia aos lugares onde a juventude se arruinava pelo abandono\u00bb.43<\/sup> Eu realmente sonho ver um dia toda a Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana com a mesma dedica\u00e7\u00e3o de Dom Bosco aos seus meninos mais pobres. Sonho ver cada um dos meus irm\u00e3os dando a vida com alegria em favor dos \u00faltimos. Em muitos casos isso j\u00e1 acontece. Sonho que cada uma das nossas casas esteja cheia daquele \u00abcheiro de ovelha\u00bb como o Papa Francisco se referia a cada ap\u00f3stolo de hoje. E desejo-o tamb\u00e9m para toda a nossa Fam\u00edlia Salesiana: ningu\u00e9m deve sentir-se isento desse apelo.<\/li>
            5. \u00abA vida de Jo\u00e3o antes da ordena\u00e7\u00e3o presbiteral \u00e9 deveras uma obra-prima de itiner\u00e1rio para a voca\u00e7\u00e3o\u00bb.44<\/sup> O Papa Francisco falando aos jovens sobre a voca\u00e7\u00e3o diz: \u00abEu sou uma miss\u00e3o nesta terra, e para isso estou neste Por conseguinte, devemos pensar que toda a pastoral \u00e9<\/li><\/ol>

              vocacional, toda a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 vocacional e toda a espiritualidade \u00e9 vocacional\u00bb.45<\/sup> Como Dom Bosco sempre fez, considero como nosso dever ajudar cada jovem, em todas as nossas propostas, a descobrir o que Deus espera dele, ter ideais que o fa\u00e7am voar alto, dar o melhor de si, desejar viver a vida como d\u00e1diva e oferenda.<\/p>

              1. Maria resplandece como m\u00e3e e Quando, ainda muito jovem, recebeu o an\u00fancio do anjo, n\u00e3o deixou de fazer perguntas. Quando aceitou e disse “sim”, apostou tudo, arriscando-se. Quando a sua prima precisou dela, deixou de lado os pr\u00f3prios projetos e necessidades e partiu sem demora. Quando a dor do Filho chegou at\u00e9 ela foi a mulher forte que o apoiou e acompanhou at\u00e9 o fim. M\u00e3e e Mestra, Ela olha para este povo de jovens que a busca; mesmo havendo no caminho muito ru\u00eddo e escurid\u00e3o, Ela fala no sil\u00eancio e mant\u00e9m acesa a luz da esperan\u00e7a.46<\/sup> Sonho, de verdade, que, fi\u00e9is a Dom Bosco, possamos fazer os nossos meninos, meninas e jovens serem apaixonados, n\u00e3o menos do que ele, por esta M\u00e3e, porque \u00abNossa Senhora \u00e9 tudo para Dom Bosco; e o Salesiano que quiser adquirir o esp\u00edrito do Fundador, deve imit\u00e1-lo nesta devo\u00e7\u00e3o\u00bb.47<\/sup><\/li><\/ol>

                5.\u00a0 DO SONHO DOS NOVE ANOS AO ALTAR DAS L\u00c1GRIMAS<\/h1>

                Estou chegando ao fim. Muitas outras coisas poderiam ser acrescentadas, mas creio que j\u00e1 \u00e9 o suficiente e seja poss\u00edvel que alguma palavra ou frase possa chegar a cada cora\u00e7\u00e3o. Se for esse o caso, seria uma not\u00edcia muito boa.<\/p>

                Desejo simplesmente convid\u00e1-los a fazer um instante de interioriza\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o diante deste texto das Mem\u00f3rias Biogr\u00e1ficas <\/em>que descreve em poucas linhas como o pr\u00f3prio Dom Bosco explica as suas l\u00e1grimas diante do altar de Maria Auxiliadora, na rec\u00e9m-consagrada Bas\u00edlica do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o; elas deviam-se ao fato de que naqueles momentos ele via e ouvia a sua m\u00e3e, os seus irm\u00e3os e a sua av\u00f3 avaliarem o sonho, at\u00e9 mesmo question\u00e1-lo, e ali, nesse instante, sessenta e dois anos depois, ele tudo compreende<\/em>, como a Mestra lhe dissera no sonho. Comoveu-me profundamente e, por isso, ofere\u00e7o-o a todos.<\/p>

                \u00abNada menos de 15 vezes durante o divino sacrif\u00edcio \u2013 anotam as Mem\u00f3rias Biogr\u00e1ficas <\/em>\u2013 ele deteve-se, tomado pela emo\u00e7\u00e3o e derramando l\u00e1grimas. Viglietti, que o ajudava, precisou distra\u00ed- lo algumas vezes, para que pudesse continuar. (Tendo-lhe perguntado) o que havia causado tal emo\u00e7\u00e3o, ele respondeu: \u2013 Tinha viva diante dos olhos a cena de quando pelos dez anos sonhei com a Congrega\u00e7\u00e3o. Eu realmente via e ouvia minha m\u00e3e e meus irm\u00e3os questionando o sonho…<\/p>

                Nossa Senhora, ent\u00e3o, dissera-lhe: “a seu tempo tudo compreender\u00e1s”. Passaram-se sessenta e dois anos de trabalho \u00e1rduo, de sacrif\u00edcios e lutas desde aquele dia, quando um s\u00fabito fulgor lhe revelou, na constru\u00e7\u00e3o da Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, em Roma, o coroamento da miss\u00e3o que lhe fora misteriosamente anunciada no in\u00edcio da sua vida\u00bb.48<\/sup><\/p>

                Creio realmente que Maria Auxiliadora continua a ser hoje a verdadeira M\u00e3e e Mestra da nossa Fam\u00edlia. Estou convencido de que as palavras prof\u00e9ticas do primeiro sonho, que prometia uma Mestra, continuam a ser uma realidade em todos os lugares onde o carisma do nosso Pai, um dom do Esp\u00edrito, criou ra\u00edzes. E tenho certeza de que pode ser aplicado a todas as casas, para al\u00e9m dos nossos cansa\u00e7os e trabalhos o que Dom Bosco dizia sobre o Santu\u00e1rio de Valdocco:<\/p>

                \u00abCada tijolo \u00e9 uma gra\u00e7a de Maria Auxiliadora; n\u00e3o h\u00e1 nada que tenhamos feito sem a sua interven\u00e7\u00e3o direta; Ela construiu a sua casa e \u00e9 uma maravilha aos nossos olhos\u00bb.<\/p>

                Ela, Imaculada e Auxiliadora continue a levar-nos pela m\u00e3o. Am\u00e9m.<\/p>

                Turim-Valdocco, 8 de dezembro de 2023.<\/em><\/p>

                P. \u00c1ngel Fern\u00e1ndez Artime, S.D.B.<\/p>

                Reitor-<\/em>Mor<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t

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                Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t
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                1<\/sup> F. MOTTO, Il sogno dei nove anni. Redazione, storia, criteri di lettura<\/em>, in \u00abNote di pastorale giovanile\u00bb 5 (2020), 6.<\/p>

                2<\/sup> P. STELLA, Don Bosco nella storia della religiosit\u00e0 cattolica. <\/em>1. Vita e opere<\/em>, LAS, Roma 1979, 31s.<\/p>

                3<\/sup> P. CH\u00c1VEZ V., \u00abConhecendo e imitando Dom Bosco, fa\u00e7amos dos jovens a miss\u00e3o da nossa vida\u00bb. ACG <\/em>412, p. 40-41.<\/p>

                4<\/sup> F. MOTTO, o.c. ,<\/em>6.<\/p>

                5<\/sup> J. BOSCO, Mem\u00f3rias do Orat\u00f3rio de S. Francisco de Sales de 1815 a 1855<\/em>, Bras\u00edlia, EDB, 2012, p. 28.<\/p>

                Cf. F. RINALDI, Carta circular publicada em ACS Ano V \u2013 N. 26 (24 de outubro de 1924), 312-317.<\/p>

                7<\/sup> G. BOSCO, Memorie dell\u2019oratorio di san Francesco di Sales dal 1815 al 1855, <\/em>in Istituto Storico Salesiano, (saggio introduttivo e note storiche a cura di A. da SILVA FERREIRA), “Fonti”, serie prima, 4, marzo 1991. Cf. A. BOZZOLO, Il sogno dei nove anni<\/em>, 3.1 Struttura narrativa e movimento onirico <\/em>in A. BOZZOLO (a cura di), I sogni di Don Bosco. <\/em>Esperienza spirituale e sapienza educativa, <\/em>LAS-Roma, 2017, p. 235. Obs.: o texto do “Sonho” nesta Estreia \u00e9 tirado de Mem\u00f3rias do orat\u00f3rio de S\u00e3o Francisco de Sales… <\/em>Bras\u00edlia, Editora EDB, 1979, p. 28ss.<\/p>

                8<\/sup> R. ZIGGIOTTI, Tenaci, audaci e amorevoli. Lettere circolari ai salesiani di don Renato Ziggiotti<\/em>, a cura di Marco Bay, LAS, Roma 2015, 575.<\/p>

                9<\/sup> O Salesiano Coadjutor Marco Bay foi professor na Pontif\u00edcia Universidade Salesiana de Roma e \u00e9 em Roma (UPS) o atual diretor do Arquivo Central Salesiano. Ele ofereceu-me generosamente a pesquisa que realizara por iniciativa pr\u00f3pria sobre as refer\u00eancias que os Reitores-Mores anteriores fizeram do “Sonho dos 9 Anos”.<\/p>

                Aproveito a oportunidade para tamb\u00e9m agradecer pelas suas anota\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es ao P. Luis Timossi, sdb, do Centro de Forma\u00e7\u00e3o Permanente de Quito, e ao P. Silvio Roggia, sdb, diretor da comunidade Beato Zeferino Namuncur\u00e1 de Roma.<\/p>

                10<\/sup> P. ALBERA, Lettere Circolari di don Paolo Albera ai salesiani<\/em>, Direzione Generale delle Opere Salesiane, Torino 1965, 123; 315; 339.<\/p>

                11<\/sup> F. RINALDI, Carta circular, <\/em>ACS Ano V, n. 26 (24 de outubro de 1924), 312-317.<\/p>

                12<\/sup> Ibidem.<\/em><\/p>

                13<\/sup> La commemorazione di un “sogno”<\/em>, in BS Ano XLIX, 6 (junho de 1925), 147.<\/p>

                14<\/sup> P. RICALDONE, ACS, Ano XVII. 24 de mar\u00e7o de 1936, n. 74.<\/p>

                15<\/sup> P. RICALDONE, o.c., <\/em>n. 78.<\/p>

                16<\/sup> R. ZIGGIOTTI, Tenaci, audaci e amorevoli. Lettere circolari ai salesiani di don Renato Ziggiotti<\/em>, a cura di Marco Bay, LAS, Roma 2015, 129.<\/p>

                17<\/sup> R. ZIGGIOTTI, o.c., <\/em>264.<\/p>

                18<\/sup> L. RICCERI, La parola del Rettor Maggiore. Conferenze, Omelie Buone notti<\/em>, v. 9, Ispettoria Centrale Salesiana, Torino 1978, 27.<\/p>

                19<\/sup> Ibid, <\/em>28.<\/p>

                23<\/sup> P. CH\u00c1VEZ VILLANUEVA, Lettere circolari ai salesiani (2002-2014). <\/em>Introduzione e indici a cura di Marco Bay. Presentazione di don \u00c1ngel Fern\u00e1ndez Artime, Roma, LAS, 2021, p. 450. [E Jesus crescia em sabedoria, idade e gra\u00e7a (Lc 2,52), <\/em>Coment\u00e1rio \u00e0 Estreia de 2006, in ACG <\/em>392]<\/p>

                24<\/sup> F. MOTTO, o.c. <\/em>8.<\/p>

                25<\/sup> Ibid, <\/em>10.<\/p>

                26<\/sup> G. BOSCO, Memorie dell’Oratorio, <\/em>citado por F. MOTTO, o.c. 9.<\/p>

                27<\/sup> F. MOTTO, o.c., <\/em>10.<\/p>

                28<\/sup> Citado em P. RICALDONE, Ano XVII. 24 de mar\u00e7o de 1936, n. 74<\/p>

                29<\/sup> J. BOSCO, o.c., <\/em>p. 30.<\/p>

                30<\/sup> P. RICALDONE, Ano XX Novembro\u2013Dezembro de 1939, n. 96.<\/p>

                31<\/sup> A. BOZZOLO (ed), Il Sogno dei nove anni. <\/em>Questioni ermeneutiche e lettura teologica, LAS, Roma, 2017, 264.<\/p>

                32<\/sup> E. VIGAN\u00d2, Lettere circolari di don Egidio Vigan\u00f2 ai salesiani<\/em>, vol. 1, Roma, Direzione Generale Opere Don Bosco, 1996, p. 10. [ACG <\/em>289, p. 11]<\/p>

                33<\/sup> R. ZIGGIOTTI, o.c.<\/em>, 264.<\/p>

                34<\/sup> F. MOTTO, o.c., <\/em>7.<\/p>

                35<\/sup> Cf. P. CH\u00c1VEZ VILLANUEVA, \u00abConhecendo e imitando Dom Bosco, fa\u00e7amos dos jovens a miss\u00e3o da nossa vida\u00bb.<\/em><\/p>

                Primeiro ano de prepara\u00e7\u00e3o ao Bicenten\u00e1rio do seu nascimento. Estreia de 2012, in ACG <\/em>412 (2012), p. 3-44.<\/p>

                36<\/sup> E. VIGAN\u00d2, Lettere circolari di don Egidio Vigan\u00f2 ai salesiani<\/em>, vol. 1, Roma, Direzione Generale Opere Don Bosco, 1996, p. 31. [ACG 290, p. 2]<\/p>

                37<\/sup> S\u00cdNODO DOS BISPOS, Os jovens, a f\u00e9 e o discernimento vocacional. <\/em>Documento final, n. 128.<\/p>

                38<\/sup> FRANCISCO, Christus vivit, <\/em>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal aos jovens e a todo o povo de Deus, 2019, n. 194.<\/p>

                39<\/sup> S\u00cdNODO DOS BISPOS, Os jovens… <\/em>Documento final, n. 116.<\/p>

                40<\/sup> Cf. XXIII CAP\u00cdTULO GERAL SALESIANO, Educar os jovens na f\u00e9. <\/em>Roma, 1990, n. 99.<\/p>

                41<\/sup> Cf. F. MOTTO, o.c. <\/em>14.<\/p>

                42<\/sup> R. SALA, Il sogno dei nove anni. Redazione, storia, criteri di lettura<\/em>, in \u00abNote di pastorale giovanile\u00bb 5 (2020), 21.<\/p>

                43<\/sup> F. RINALDI, Il sac. Filippo Rinaldi ai Cooperatori ed alle Cooperatrici Salesiane. Un’altra data memoranda<\/em>, in BS Anno XLIX, 1 (Janeiro de 1925), 6.<\/p>

                44<\/sup> E. VIGAN\u00d2, Lettere circolari di don Egidio Vigan\u00f2 ai salesiani<\/em>, vol. 2, Roma, Direzione Generale Opere Don Bosco, 1996, p. 589. [ACG <\/em>313]<\/p>

                45<\/sup> FRANCISCO, Christus Vivit, <\/em>n. 254.<\/p>

                46<\/sup> Cf. FRANCISCO, o.c., <\/em>43-48, 298.<\/p>

                47<\/sup> R. ZIGGIOTTI, Tenaci, audaci e amorevoli. Lettere circolari ai salesiani di don Renato Ziggiotti<\/em>, a cura di Marco Bay, LAS, Roma 2015, 264.<\/p>

                48<\/sup> MB XVIII, 341.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

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